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Sobre Plágios!!!!!

Sobre Plágios


Quando alguém se apropria de um texto sem dar os créditos ao autor, essa pessoa se apropria de um momento, de uma história que a inspirou, da oscilação dos sentimentos, de trocas íntimas. Ela se apropria de uma transa, de um abraço, de uma vitória, de uma dor, de uma cura e de horas que foram dedicadas à elaboração daquilo. Ela se apropria de uma lembrança, de uma saudade, de uma angústia, de uma solidão, de um talento. Ela se apropria de algo que pode exemplificar exatamente o que ela queria dizer, mas que teria dito de outra forma.Ela não escreve uma história, ela escreve uma farsa.Por mais que um texto meu pareça fluido ou que eu tenha “facilidade” em escrever, este é um ato solitário e de muita entrega. As palavras são temperamentais e, muitas vezes, arredias. Seduzi-las será sempre um desafio. Compartilhar um texto é um ato de generosidade, porque se compartilha, antes de tudo, uma nudez. E é essa honestidade que tantas vezes desanuvia o coração de alguém que descobriu que não está passando pela mesma situação sozinho. Compartilhar é uma forma de dar calor, de segurar a mão, de fazer um afago, de pedir colo. Por mais simples que seja um texto, ele sempre é fruto de muita leitura, estudo, autoconhecimento, conversa, observação e trabalho. Por isso, o autor merece respeito e consideração. Talvez algumas pessoas não saibam, mas textos são como filhos que a gente solta no mundo, mas todos eles têm uma certidão de nascimento, uma identidade, uma digital. E serão reconhecidos mesmo que desfigurados, porque têm DNA.



Marla de Queiroz

Imagem:Arte surrealista de Rob Gonsalves

CIRURGIÃO...SE OPERA PARA SE SALVAR

Leonid Rogozov - o cirurgião de si mesmo











































Em 29 de abril de 1961 um médico da 6 ª Expedição Soviética à Antártica, Leonid Rogozov 27 anos sentiu uma dor na barriga e febre. O dia seguinte foi desesperador. Não tendo nenhuma chance de chamar um avião à noite, e sendo o único médico na estação "Novolazarevskaya", em 30 de abril, o cirurgião fez uma operação de remoção do apêndice em si mesmo com anestesia local. Ele foi ajudado por um engenhe iro e um met eorologista da estação.









Em 1959, o médico, Leonid Rogozov foi imediatamente aceito para a residência clínica. No entanto, os seus estudos na residência foram quebrados por algum tempo devido à viagem à Antártida, em setembro de 1960 como médico da 6 ª expedição soviética à estação Novolazarevskaya, na Antártica.

Durante esta expedição o que aconteceu, fez do médico de 27 anos um cirurgião famoso.

No 4 º mês do inverno, em 29 de abril de 1961, Leonid apresentava sintomas inquietantes: fraqueza, náuseas, febre e dor na região ilíaca direita. No dia seguinte, sua temperatura subiu ainda mais. Sendo o único médico na expedição composta por 13 pessoas, Leonid diagnosticou a si mesmo: apendicite aguda. Não havia aviões em qualquer uma das estações mais próximas, além disso, condições meteorológicas adversas não permitiriam voar para Novolazar evskaya de qualquer maneira. A fim de salvar o membro doente f oi necessária uma operação de urgência no local, e a única saída era operar a si mesmo.





Na noite do dia 30 de abril de 1961, o cirurgião, ajudado por um engenheiro mecânico e um meteorologista que davam a ele os instrumentos médicos e seguravam um pequeno espelho em sua barriga, o médico fez uma anestesia local com solução de novocaína e fez uma incisão de 12 centímetros na região ilíaca direita com um bisturi. Quer vendo no espelho ou pelo toque ele removeu um apêndice inflamado e injetou antibiótico na cavidade abdominal. Após 30 ou 40 minutos do início da operação ele teve um desmaio e vertigem e o cirurgião teve que fazer algumas pausas para descanso. No entanto, à meia-noite a operação com duração de 1 hora e 45 minutos havia terminado. Em cinco dias a temperatura estava normalizada, e após dois dias - os pontos foram retirados.

Em São Petersburgo, no Museu do Ártico e da Antártida há uma exposição de instrumentos cirúrg icos que Leonid Rogozov usou para essa operação.







O astronauta-piloto Titov, um herói na União Soviética, escreveu em seu livro "O meu planeta azul":

"Em nosso país uma exploração é a própria vida.

… temos inveja da coragem do médico soviético Leonid Rogozov que fez uma operação de remoção do apêndice em si mesmo nas condições difíceis da expedição da Antártica.

…” Às vezes eu reflito sobre isso na solidão e me pergunto se eu poderia fazer o mesmo e apenas uma resposta vem à minha mente: "Eu faria o meu melhor ..."









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Baixos níveis de vitamina D podem causar problemas na gravidez




Um novo estudo descobriu que mulheres que possuem níveis altos de pressão sanguínea, problema relacionado com gravidez de alto risco, tendem a ter níveis mais baixos de vitamina D no sangue do que grávidas saudáveis – levantando a possibilidade de que a vitamina pode influenciar complicações na gestação.

Esse problema, em seu estágio precoce, é conhecido como pré-eclâmpsia grave, e surge em cerca de 2 a 3% das gestações, sendo responsável por cerca de 15% dos nascimentos prematuros nos EUA por ano.

A pré-eclâmpsia é uma síndrome marcada por aumento súbito da pressão arterial e acúmulo de proteínas na urina devido à pressão sobre os rins. O início precoce da eclâmpsia é uma forma particularmente grave que surge antes da 34ª semana de gravidez.

No estudo atual, os pesquisadores descobriram que os níveis de vitamina D eram geralmente mais baixos entre as 50 mulheres com pré-eclâmpsia grave em comparação com as 100 gestantes saudáveis. A média do nível de vitamina D no primeiro grupo foi de 18 nanogramas por mililitro (ng/mL), versus 32 ng/mL no segundo grupo.

Há um debate sobre o nível adequado de vitamina D no sangue, mas muitos especialistas dizem que pelo menos 32 ng/mL é necessário para uma boa saúde em geral. Nas mulheres grávidas, o aumento de 10 ng/mL de vitamina D no sangue foi associado a uma redução de 63% na probabilidade de complicação.

A vitamina D atua como um hormônio, e pesquisas de laboratório descobriram que ela pode afetar a regulação e a função de proteínas na placenta. Problemas no desenvolvimento da placenta são considerados as raízes da pré-eclâmpsia.

Existem várias pesquisas que encontraram conexões entre os níveis de vitamina D no sangue, ou da ingestão de vitamina D, e os riscos de uma série de problemas de saúde. Vitamina D baixa é relacionada a maiores riscos de diabetes tipo 1, ataques de asma grave, doenças cardíacsa, certos tipos de câncer e depressão. Mas se a vitamina D é a razão para tais riscos em excesso – e se tomar suplementos pode reduzir esses riscos – ainda não foi provado.

Se a vitamina D estiver envolvida no risco de pré-eclâmpsia, isso pode ajudar a explicar porque as mulheres afro-americanas têm maior risco de complicação que outros grupos raciais – mesmo quando fatores como renda e acesso a cuidados de saúde são levados em conta. A vitamina D é sintetizada naturalmente na pele quando esta é exposta ao sol. Esse processo é menos eficiente em pessoas com pele mais escura, e estudos afirmam que afro-americanos normalmente têm níveis baixos de vitamina D no sangue.

Muitos pesquisadores argumentam que as mulheres grávidas – e todas as outras pessoas – precisam de mais vitamina D do que oficialmente ingerem. No entanto, a investigação nos últimos anos tem desafiado as ideias sobre o que seria suficiente e o que seria demais para ingerir diariamente, e as recomendações estão atualmente em revisão.

A vitamina D pode ser encontrada em alimentos derivados do leite e em ovos[Reuters]

“Marcapasso cerebral” melhora a memória de pacientes com Alzheimer




A inserção de um estimulador cerebral profundo (ECP), um dispositivo semelhante a um marcapasso, mas para o cérebro, pode melhorar a memória e a função cognitiva de pacientes com doença de Alzheimer.


Pesquisas recentes mostraram que, após a implantação de um ECP em seis pacientes com Alzheimer, metade deles ou melhorou a memória, ou teve uma taxa mais lenta de declínio.


A equipe investigou a teoria de que a estimulação elétrica de estruturas no fundo do cérebro, incluindo o hipotálamo, pode melhorar os sintomas da doença. Cada paciente deixou o hospital no prazo de três dias após o estudo e continuou seu tratamento médico padrão para a doença, bem como a estimulação contínua do dispositivo implantado há um ano.


Durante esse período, os indivíduos foram avaliados de várias formas, incluindo testes cognitivos, mapeamento cerebral e de imagem. Sua função cognitiva foi avaliada por diversos tipos diferentes de escalas de medição. A tomografia por emissão positiva (PET), um tipo de exame cerebral que mede a atividade metabólica, foi utilizada para avaliar a forma como o dispositivo mudou o metabolismo da glicose no cérebro, já que a doença pode alterar a forma como a glicose é utilizada no cérebro.


Em metade dos pacientes, por seis ou doze meses, a função cognitiva melhorou ou diminuiu mais do que o esperado. Além disso, o PET scan mostrou que o metabolismo anormal da glicose geralmente observado em pacientes com doença de Alzheimer melhorou após a inserção do dispositivo.


Nenhum dos pacientes teve quaisquer efeitos secundários graves durante o ano em que o dispositivo foi implantado. Embora o estudo ainda seja pequeno, os resultados são animadores. No futuro, estudos maiores podem fornecer mais informações sobre uma terapia eficaz para o tratamento da doença, ou que pelo menos retarde o declínio das capacidades do paciente. [LiveScience]



A Companhia Editora Nacional e a Academia Brasileira de Letras (ABL) acabam de lançar a 2ª
edição do Dicionário escolar da língua portuguesa. Confira os ajustes finais determinados pelo
Acordo Ortográfico que corrigem a grafia de alguns verbetes publicados na 1ª edição:

Verbete 1ª edição Verbete 2ª edição (grafia correta)
ante‐sala  -  antessala
beribéri -  beri‐béri
chá da índia  -  chá‐da‐índia
co‐herdar   -  coerdar
co‐herdeiro   -  coerdeiro
cricri   -   cri‐cri
cricrilar  -  cri‐crilar
frufru   -    fru‐fru
gigahertz  -   giga‐hertz
gluglu   -   glu‐glu
hãhã   -   hã‐hã
megahertz    -    mega‐hertz
nhenhenhém      -   nhem‐nhem‐nhém
póstero‐exterior     -    posteroexterior
póstero‐inferior     -      posteroinferior
póstero‐interior     -     posterointerior
póstero‐superior    -      posterossuperior
quilohertz     -     quilo‐hertz
re‐edificação     -     reedificação
re‐edificar     -     reedificar
re‐editar    -     reeditar
re‐educação    -    reeducação
re‐educar   -     reeducar
re‐eleger       -      reeleger
re‐eleição      -    reeleição
re‐eleito      -     reeleito
re‐embolsar    -       reembolsar
re‐embolso    -   reembolso
re‐encarnação    -   reencarnação
re‐encarnar    -    reencarnar
re‐encontrar    -   reencontrar
re‐encontro    -   reencontro
re‐engenharia    -   reengenharia
re‐entrância   -    reentrância
re‐entrante   -   reentrante
re‐entrar    -    reentrar
re‐enviar   -   reenviar
re‐erguer   -   reerguer
re‐escalonamento   -   reescalonamento
re‐escalonar    -   reescalonar
re‐escrever   -  reescrever
re‐escrito    -  reescrito
re‐estruturação    -   reestruturação
re‐estruturar   -    reestruturar
re‐estudar     -    reestudar
re‐exame     -   reexame
re‐examinar     -    reexaminar
romeu‐e‐julieta     -    romeu e julieta
tantã (gongo)  -    tam‐tam
tão‐só   -    tão só
tão‐somente   -   tão somente
tintim    -   tim‐tim
tique taque   -   tique‐taque
tititi   -    ti‐ti‐ti
xique‐xique (planta)   -     xiquexique
ziziar   -    zi‐ziar

Palmada na lei

Ao propor a proibição da palmada, o Estado infantiliza os pais

ELIANE BRUM – JORNALISTA, ESCRITORA, DOCUMENTARISTA E COLUNISTA DA REVISTA EPOCA

26/07/2010 - 09:32 - ATUALIZADO EM 26/07/2010 - 11:52

Tento me mover pela vida a partir das dúvidas. Mesmo quando acho que tenho uma razoável certeza sobre algum tema, me pergunto várias vezes: “será?”. E guardo uma parte de mim sempre aberta para mudar de ideia diante de algum fato novo ou argumento bem fundamentado. É o caso da lei da palmada, que me parece desde sempre um total disparate. Ao constatar que o projeto de lei enviado pelo presidente Lula ao Congresso em 14 de julho é apoiado e defendido em entrevistas e artigos por pessoas cuja inteligência e atuação pública tenho grande respeito, me forcei a um questionamento ainda maior. Será que palmada é crime e eu não estou percebendo algo importante?

O projeto, que ficou conhecido como “lei da palmada”, se propõe a alterar o artigo 18 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Nele, fica proibido o uso de castigos corporais de qualquer tipo na educação dos filhos. O castigo corporal é definido como “ação de natureza disciplinar ou punitiva com o uso de força física que resulte em dor ou lesão à criança ou adolescente”. Li, pesquisei, estudei e continuo achando um total disparate. Não encontro um único argumento que me convença de uma lei proibindo palmadas.

Antes de seguir, quero deixar muito claro que, obviamente, espancamento é crime. Seja dos pais ou de quem for. Palmada não. E nada me convence de que precisamos de mais uma lei, já que a legislação existente pune o espancamento e demais agressões físicas. Nada tampouco me convence de que o Estado deve interferir neste nível na vida privada, na maneira como cada um educa seus filhos. Não por uma postura liberal, mas por algo bem mais sério que vou abordar mais adiante.

Um dos argumentos em defesa da nova lei é de que as pessoas não saberiam a diferença entre uma palmada e um espancamento. Acredito que a maioria das pessoas sabe muito bem a diferença entre dar um tapa na bunda de uma criança e espancar uma criança. Não vale como estatística, mas nunca conheci ninguém que não soubesse, exceto pessoas com distúrbios muito graves, que também não sabiam a diferença entre quase tudo. Quem espanca não acha que está dando uma palmada. Tem certeza de que espanca e quer espancar.

Outro argumento é de que a suposta violência começaria com uma palmada e evoluiria para um espancamento. Não me parece que temos provas de que isso seja um fato verídico. É verdade que temos, infelizmente, um número elevado de crianças espancadas no país – no caso de crianças espancadas, queimadas e agredidas de todas as formas qualquer número acima de zero é elevado e vergonhoso e seus autores devem ser punidos com as penas previstas nas leis que já existem. Mas não é a maioria nem é uma regra evolutiva. Não vejo pais dando palmadas nos primeiros dois anos de vida e no terceiro e no quarto espancando. E no quinto e sexto matando? O espancamento de uma criança quebra tanto o consenso social que provoca horror e espanto.

Me parece muito perigoso tachar de criminosos pais que dão palmadas. Por vários motivos. O primeiro deles é a injustiça da afirmação. Crime é algo muito sério e algo com que o Estado e todos nós precisamos nos preocupar porque rompe e ameaça o tecido social, portanto a sobrevivência de todos. Não pode e não deve ser banalizado. Chamar de criminoso um pai ou uma mãe que dá uma palmada na criança na tentativa de educar é, além de um equívoco, um flagrante abuso.

Me preocupa muito, por exemplo, o fato de demorarmos a agir no caso das denúncias de espancamentos e de agressão sexual. Assim como me preocupa a falta de instrumentos de proteção efetivos para amparar as crianças violadas de todas as formas. Quem trabalha com a prevenção da violência contra crianças sabe que há escassez de assistência. Isso resulta em traumas físicos e psicológicos para as vítimas e impunidade para os agressores. Quando o Estado coloca a palmada e o espancamento no mesmo nível, como se fosse a mesma coisa, todas as lacunas de prevenção, assistência e repressão podem se tornar ainda mais largas.

Se o Estado se propõe a entrar na casa das pessoas e fiscalizar se todos os pais do Brasil estão dando ou não palmadas em seus filhos, em vez de concentrar seus recursos e esforços naquilo que é importante – a prevenção do espancamento e a punição dos espancadores, assim como dos abusadores de todo tipo – temo que o tiro possa sair pela culatra, com o perdão do clichê. Acho que na vida, seja para um governante, um legislador ou um cidadão comum, é importante ter foco.

Este tipo de debate é rico porque todos têm suas próprias experiências. E eu acredito muito na experiência. Vivemos numa época em que a tradição foi desmoralizada e a maioria corre para especialistas de todo o tipo para saber como deve agir ou pensar. Não confia nem na soma de experiências próprias e dos que acertaram e erraram antes – nem em seus próprios instintos. Uma pena, porque perdemos muito. Todos nós perdemos muito. E, talvez, mais que todos, nossas crianças.

Espancamento, ouso dizer que a maioria de nós não experimentou. Mas palmadas quase todos conhecem na pele. Eu nunca fui espancada pelos meus pais, mas recebi várias palmadas. E todas elas, na minha percepção, foram atos de amor e de educação. Eu nunca espanquei minha filha, mas dei várias palmadas nela. E também foram atos de amor e de educação.

Quando eu era criança, só conheci um colega que era espancado pela mãe. Numa ocasião, esta mulher entrou na escola onde estudávamos com um pedaço de pau e deu uma surra pública no meu amigo. Para nós aquilo foi algo totalmente apavorante. Tínhamos oito anos e não sabíamos que os pais eram capazes de tal violência. Sabíamos perfeitamente a diferença entre aquela surra sangrenta que testemunhamos e o que acontecia dentro da nossa casa quando aprontávamos alguma arte. Lembro que nos reunimos para conversar. Estávamos assustados e precisávamos explicitar e assegurar a diferença para termos certeza de que nossos pais nunca fariam algo assim. A forma que encontramos foi cada um contar como os pais procediam quando faziam algo errado. Rememorar os limites era a única maneira de nos tranquilizar diante daquela cena de horror.

O curioso é que, nervosos, cada um queria se exibir mais do que o outro. Minha mãe corre atrás de mim e me dá palmadas, a maioria dos meus colegas dizia, orgulhoso. Tinha um que se gabava de que o pai lhe dava umas cintadas na bunda. Me senti um pouco inferiorizada porque apanhava pouco. Então exagerei dizendo: “Minha mãe me dá muitas chineladas e dói bastante”. Pronto. Todos nós reafirmamos que éramos amados. Não éramos e não seríamos espancados, mas éramos amados o suficiente para que nossos pais se preocupassem de nos punir por coisas erradas que fazíamos. Confiávamos que nossos pais nunca superariam este limite. E, depois desta sessão espontânea de terapia coletiva, fomos convidar nosso machucado colega para brincar.

Passei a infância com uma inveja manifesta dos meus irmãos que um dia apanharam de cinta do meu pai. Meu pai explicou calmamente porque eles apanhariam, perguntou se tinham entendido bem as razões e as circunstâncias e começou a bater pelo meu irmão mais velho, por causa de outra regra muito clara: como ele era o mais velho, deveria dar exemplo aos mais novos. Como eu nasci muitos anos mais tarde, meu pai já tinha delegado esta tarefa à minha mãe e perdi esta parte. Seguiu mantendo uma autoridade que nos impunha tal respeito que bastava cravar em nós “aquele olhar” para pararmos a traquinagem no meio do movimento. Mas eu me sentia roubada – e desconfiava secretamente que meu pai me amava menos. Meus irmãos até hoje rolam de rir desta surra ritual de cinta nos encontros familiares – e eu não tenho nada para contar. Lembro de um dia ter me enchido de coragem e perguntado ao meu pai: “Por que eu nunca apanhei de cinta?”. Não lembro a resposta.

Quando chegou a minha vez de ser mãe, busquei as referências na minha própria educação. Minha opinião era a de que eu tinha apanhado pouco e deveria ter sido mais reprimida sob certos aspectos. Não havia a menor chance de que eu, como mãe, fosse permitir algumas petulâncias que meus pais engoliram de mim como filha. Fui uma mãe bem mais dura do que meus pais foram comigo, o que implicou em um número maior de palmadas e de regras. E, claro, me esforcei para desenvolver aquele olhar que emana da autoridade – e não do autoritarismo – no qual meu pai era mestre. Não fiquei traumatizada pelas palmadas que recebi dos meus pais – nem minha filha ficou traumatizada com as dadas por mim. Ainda ontem telefonei para ela, hoje com 28 anos, para me certificar. Não, ela definitivamente não ficou traumatizada.

Li num artigo de jornal a seguinte afirmação de uma psiquiatra: “Crianças que sofrem palmadas são induzidas a pensar que podem dar palmadas nos outros, que a violência é a maneira de resolver as coisas, e se tornam agressivas na escola”. Me parece um pensamento bastante inconsistente. Nunca achei que pudesse dar palmadas em ninguém nem permiti que outros que não fossem meus pais me dessem palmadas. Era muito claro que esta prerrogativa, a de me dar palmadas para me educar, era só dos meus pais. E que eu só as teria quando fosse mãe. Assim como era muito claro para mim e para meus irmãos que a violência não era a forma de solucionar conflitos. Possivelmente porque nós – e a maioria das crianças ao nosso redor – não decodificavam a palmada como violência. Nunca conheci nenhuma criança que saísse dando tapas nos outros porque recebia palmadas em casa. Vi, sim, especialmente em trabalhos de reportagem, crianças espancadas que se tornaram muito agressivas ou totalmente alheias. Garanto: é de outra ordem.

Outro argumento que aparece neste debate é o da desproporção. Não há comparação entre a força de um adulto e a capacidade de se defender de uma criança, entre o tamanho da mão que aplica a palmada e a mão de quem a recebe. É verdade. E não vejo como poderia ser diferente. Não compreendo como poderia existir um processo educativo que não parta de uma desproporção. Se eu tenho condições de ser mãe é justamente porque assumo a desproporção. Para me tornar mãe ou pai, eu preciso antes acreditar que tenho o que transmitir ao meu filho e tenho meios para educar. É minha esta responsabilidade. E dá um trabalho enorme – muito maior do que deixar para lá e não colocar limites, como se vê cada vez mais por aí.

É a consciência da desproporção que faz com que eu controle minha força se for dar uma palmada. E controle minha “força” também para não impor as minhas respostas e, assim, impedir meu filho de fazer sua própria busca pelo conhecimento. Com a minha orientação, sim, mas não com os meus dogmas. Ser pai ou mãe é se responsabilizar pelo seu poder, em todos os sentidos. Quando a gente se responsabiliza fica muito mais difícil se exceder em qualquer aspecto – seja físico ou psicológico.

Mas o aspecto que mais me preocupa se este projeto de lei for aprovado é o de reforçar aquele que me parece ser – este sim – um dos grandes problemas atuais: a dificuldade dos pais de educar seus filhos. Não me parece que o problema da maioria das crianças hoje seja a palmada que eventualmente recebe dos pais. Mas o fato de não receber limites de seus pais, de não ser efetivamente educada.

Boa parte dos pais me parece completamente perdida. As crianças gritam, as crianças querem porque querem, as crianças interrompem às vezes aos berros quando o pai conversa com outra pessoa, as crianças não cumprimentam ninguém nem na chegada nem na saída, fazem exigências como se o mundo e todos os adultos dentro dele existissem para servi-las, testam e testam para ver se alguém vai fazê-las parar, botar algum limite, e nada. Basta sair na rua para testemunhar cenas lamentáveis em restaurantes, shoppings, cinemas e lugares públicos protagonizadas por pequenos déspotas diante de pais infantilizados. Pais esvaziados, inseguros sobre sua capacidade de educar o filho que botaram no mundo e que parecem duvidar que têm algo a ensinar àquelas crianças. Pais sem nenhuma autoridade.

O que uma parte destes pais faz quando se torna insuportável viver com estes filhos? Leva para um especialista que diagnostica a criança como a mais nova portadora da epidemia da moda: a tal da TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. E dá-lhe medicamento cada vez mais cedo. Como boa parte das crianças ao redor já foi diagnosticada com a “doença” esta, ninguém acha suspeito. Imagino que, quando parte desta geração crescer, o rito de passagem vai ser apenas mudar o medicamento: aos 18 anos ganha um carro e sua primeira caixa de antidepressivos.

Pobres pais? Não! Pobres crianças que visivelmente estão cada vez mais infelizes porque ninguém nasce sabendo sobre seus limites e todo o resto. Um filho precisa que os pais sejam pais. Diante deste quadro, o que o Estado faz? Infantiliza e esvazia de autoridade ainda mais estes pais ao se meter na vida privada e dizer como eles devem educar. Ou que eles não podem tocar nos seus filhos para educar sob pena de serem tratados como criminosos ou párias. Ou, talvez o pior: tratados como maus pais.

Na escola, os professores já choram diante de crianças e adolescentes que desafiam sua combalida autoridade dizendo: “Você não pode me mandar fazer nada porque quem paga o seu salário é o meu pai”. A tradução é: portanto, eu mando em você e, portanto, não há educação possível a partir desta premissa. Se a lei da palmada for aprovada, é possível imaginar as variações dentro de casa: “Se me bater eu te denuncio para o conselho tutelar”.

Não estou fazendo aqui nesta coluna uma apologia da palmada. Há pais que educam sem bater – e conheço alguns. Há outros que educam dando palmadas quando outras tentativas se esgotam. Os que não batem não são melhores pais porque não batem – e vice-versa. Cada relação é uma relação. Cada filho é diferente do outro. E com cada filho seremos pais diferentes, porque cada um deles nos trará demandas diferentes. Quem tem mais de um filho sabe bem disso.

Não tenho dúvida de que os autores e apoiadores da lei são bem intencionados. Mas acho que se equivocaram e erraram o alvo. Uma lei como esta desautoriza os pais – e o faz numa época em que eles mesmos, por diversas razões, já desautorizam a si mesmos. Ao exercer sua autoridade de forma abusiva, o Estado esvazia de autoridade e infantiliza seus cidadãos. Isto é grave. Embora eu tenha poucos motivos para confiar neste Congresso que aí está, espero que vozes com bom senso se ergam para impedir este projeto de virar lei. Se virar, como todas as leis sem lastro na realidade, não será cumprida. E isto desmoraliza a democracia.

(Eliane Brum escreve às segundas-feiras)

Fotos de Matto images.

Mães morrem um pouco quando perdem os filhos




Sensação é de responsabilidade e de vazio.


Única forma de ajudar é acolhê-las e ouvi-las.


Ana Cássia Maturano Especial para o G1, em São Paulo



Pela vida vamos nos distanciando de pessoas que amamos. Trocamos de casa, de cidade e até de país. Os interesses que tínhamos em comum com os amigos da infância e juventude mudam, deixamos de compartilhá-los e seguimos por rumos diferentes. E, é claro, as pessoas morrem: pais, avós, amigos...


Algumas separações são naturais e dependem apenas dos caminhos que a vida toma. Há as esperadas, por mais que sejam dolorosas. Outras, porém, parecem não seguir qualquer lógica, como a morte de um filho.









Ao pensar em gerar uma criança a última coisa que se considera é que ela morrerá antes dos pais. Como se a lei natural fosse os pais partirem antes dos filhos. A criança é imaginada como algo próximo da perfeição: bela, saudável, inteligente, alegre e vivendo muitos e muitos anos. São praticamente imortais. Desejamos tudo de bom para os nossos descendentes que, de certa forma, vão garantir que continuemos nossa existência através deles. Afinal, são nossos frutos.


Só que a vida não é uma linha reta e previsível. E muito menos segue o trajeto dos nossos desejos. Tudo o que criamos em nossa mente sobre um filho nem sempre corresponde à realidade.


Às vezes, ele nem consegue ser gerado. Antes mesmo que tenha alguma forma ou possa ser sentido pela mãe em seu ventre, ele é expelido. Outros chegam a nascer mortos ou sobrevivem pouco tempo por algum problema de saúde. E que dor sentem essas mães. Já são seus filhos, mesmo que não tenham um rosto ainda.


Alguns nascem portadores de alguma síndrome. São crianças que não terão o mesmo curso de desenvolvimento da maioria.


Apesar de serem muito amadas, até por precisarem mais ainda de seus pais, quando chegaram ao mundo não correspondiam às idealizações deles – não eram o filho esperado.


Muitos outros, porém, nascem bem e se desenvolvem com saúde e alegria. Dão trabalho e dissabores como todos os filhos. Mas estão lá, trilhando o caminho da vida, até que algo de inesperado acontece e tudo muda. Seja por uma doença, overdose, acidente de carro, bala perdida, atropelamento ou tantas outras coisas que fazem com que aquele ser tão amado e desejado deixe de existir.


Vazio


Se a morte de alguém querido causa uma dor profunda, no caso de um filho, só alguém que passou poderá dizer. Não dá para conceber tal ideia, principalmente para as mães que um dia foram uma unidade com seus pequenos – eram um só. Época em que a existência deles dependia exclusivamente delas. Sentimento que prossegue pela vida e que, em momentos como esses, algumas chegam a se perguntar o que fizeram de errado ou o que deixaram de fazer para que isso acontecesse.


Por mais que se diga a elas que não fizeram nada, ainda assim, de alguma forma, sentem-se responsáveis. E vazias. Vazias de um pedaço de si, de sua continuidade, de seu fruto, de seu grande amor. As mães morrem um pouco com eles. Não existe consolo. Só o tempo poderá ajudar, tendo a certeza de que essa era a história do filho querido.


Para os que as acompanham, como é difícil encará-las, pois ao fazerem isso, têm que encarar também seus temores diante da morte e da perda. E o que dizer a elas? Nada. Que ninguém ouse dizer que sabe o que elas estão sentindo. Ninguém sabe, só quem passou pela mesma dor. Que para cada um é única. Se for possível acolhê-las e ouvi-las, não é preciso mais nada.


Pessoa alguma deveria passar pelo que as mães e os pais que perderam seus filhos passam. Mas, como disse, a vida não é reta. Não temos poder sobre seus caminhos.


(Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga)
FOTO:Arte/G1






EUA autorizam teste com células-tronco embrionárias em pacientes





Liberação veio da Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos.


Método para o emprego das células é do grupo Geron Corporation.


Do G1, com agências internacionais


A Agência de Drogas e Alimentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) anunciou nesta sexta-feira (30) que irá liberar o uso de células-tronco embrionárias para uma primeira aplicação em humanos.


É a primeira vez que um órgão oficial libera o emprego de células-tronco em humanos. O método, conhecido como GRNOPC1 e desenvolvido pelo grupo Geron Corporation, será voltado para o tratamento de pacientes com lesões na medula espinhal.


A FDA havia concedido a autorização para a mesma pesquisa em janeiro de 2009, mas colocou a decisão em suspensão no mês de agosto do ano passado após a descoberta de cistos em ratos de laboratório que haviam recebido células-tronco pelo método GRNOPC1.


O grupo Geron precisou desenvolver outro estudo com ratos para apresentar uma nova forma de identificar a "pureza" das células. A companhia planeja monitorar os pacientes durante 15 anos e argumenta que cistos na medula espinhal podem aparecer mesmo sem a administração de células-tronco.


Células-tronco embrionárias são conhecidas como pluripotentes por poderem gerar qualquer tipo de célula no corpo. Os cientistas têm como objetivo desenvolvê-las e aplicá-las na restauração de tecidos e órgãos em medicina.


Outro grupo de pesquisas com células-tronco, o Advanced Cell Technology, também busca autorização da FDA para realizar testes em humanos desde novembro de 2009. A empresa espera uma resposta da agência federal norte-americana dentro dos próximos 30 dias.






FDA libera uso de células-tronco para teste com


pacientes. (Foto: Darren Hauck / Getty Images


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