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Menina enxerga pela primeira vez após receber células-tronco

Menina enxerga pela primeira vez após receber células-tronco
Simone Tinti

A inglesa Dakota Clarke, de 2 anos, tinha uma deficiência rara no nervo ótico. O tratamento, que aconteceu na China, é criticado por muitos médicos
Nesta semana, uma notícia voltou a chamar novamente a atenção para o uso de células-tronco. Dakota Clarke, uma garota inglesa de 2 anos, passou a enxergar após passar por um tratamento na China. Cega de nascença, ela tinha uma deficiência rara no nervo ótico e, após a terapia com células de cordão umbilical, as quais foram injetadas em sua corrente sanguínea, começou a ver formas e cores de objetos.

De acordo com notícia da BBC, o tratamento custou cerca de 40 mil dólares e foi feito pela empresa americana de biotecnologia Beike Biotech, que atua em 24 hospitais chineses. Para conseguir o dinheiro, os pais de Dakota, Darren e Wilma, arrecadaram doações. Eles mantêm um blog sobre a história da filha e acreditam que o tratamento tem funcionado como “milagre”.

O método usado para tratar Dakota é chamado de IV. Segundo o jornal britânico Daily Telegraph, o IV é alvo de críticas de muitos médicos e considerado ainda experimental. O jornal informa que apenas 15 pessoas até agora receberam esse tratamento. O diretor de comunicação da Beike Biotech, John Hakim, declarou que a própria empresa não acreditava que o método seria capaz de realizar tantos benefícios e que o uso do método será repensado a partir de agora.

Para Salmo Raskin, presidente da Sociedade Brasileira de Genética Médica, o caso causa estranheza do ponto de vista científico. “Na ciência, estamos acostumados a ver as coisas caminharem mais lentamente, após anos de estudos. E esse tratamento aconteceu muito rapidamente. Não há publicações científicas sobre esse uso específico das células-tronco. Tudo ainda é muito novo nessa área”, diz. Ele também chama atenção para o fato da empresa, apesar de ser americana, ter parcerias apenas na China, onde as normas são menos rígidas. “A impressão é de que o estudo ainda está na fase experimental”, afirma.

(Revista Crescer)


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