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Meditações e prece de Natal

























É verdade que, historicamente, o Natal não é a data exata do nascimento de Jesus. É verdade que a narrativa da manjedoura, dos reis magos, da estrela de Belém, do descendente de Davi é uma história mítica, arranjada para provar que Jesus era o Messias esperado pelos judeus. Não houve recenseamento, não foi preciso que o carpinteiro José se deslocasse de Nazaré e fosse com sua esposa se apresentar em Belém. Mesmo porque se os romanos fizessem um recenseamento do seu Império, não lhes interessaria contar os judeus pela sua descendência. (Na história bíblica, José como descendente de Davi teria de se apresentar para o recenseamento em Belém.)


Provavelmente, Jesus nasceu em Nazaré, viveu tranquilamente em sua aldeia, aprendeu o ofício de seu pai. Não precisou buscar refúgio no Egito. Mas tudo isso apenas aumenta sua grandeza: um filho de carpinteiro, crescido numa aldeia obscura, num recanto do Império romano, ergueu a voz de sua mensagem e transformou o mundo.


É verdade também que o Natal se tornou no mundo cristão uma data comercial, para compra de presentes, para movimentar o mercado, para aguçar o consumo. Que o seu personagem anda longe dos pensamentos, distante dos corações, apagado dos atos da maioria das pessoas.


É verdade, é verdade.


Mas é verdade também que o Natal tem uma poesia toda sua…o presépio pode ser mítico, mas é um símbolo de humildade e acolhimento. A data pode não ser a correta, mas como ao longo dos séculos muitos pensaram em Jesus nesse dia e procuraram conexão com ele, a noite natalina ficou impregnada de devoção e alegria.


A verdade é que a figura de Jesus paira acima dos séculos, acima dos mitos, acima do comércio, emanando amor em seu olhar, que abarca o mundo inteiro.


É verdade que a sua mensagem de paz e fraternidade permanece insuperável, como um apelo permanente aos corações de boa vontade, cristãos ou não cristãos.


Seu coração amoroso vibra ainda pela humanidade e nos acompanha de longe e de perto.


Por isso, dedico como sempre um poema de Natal ao Mestre carpinteiro, ao Mestre de Nazaré, ao Mestre da humildade e da paz!


Prece de Natal






Podem os homens da terra


Semear flores de sangue


Mas tua paz invisível medra


Na alma do povo exangue…






Podem as criaturas


Retalhar a natureza


Acinzentar o horizonte


Mas envias sempre uma alma pura


trazendo a delicadeza


de um gesto oculto que cura.






Podem os incautos


Mancharem a esperança


Propagarem a maldade


Exaltarem a ganância


Ferirem o coração de uma criança,


Pondo espinhos num coração de mãe.


Mas tu levantas o caído


Amparas o traidor e traído.


Desfazes toda dureza


E restauras a bonança.






O séculos se sucedem


E teus pés percorrem sempre


As pedras de nosso mundo


E semeias de passagem


O sonho de nova paisagem


As lágrimas de amor profundo


Com que nos tocas a vida.






Podem os percalços


em minha alma dolorida


fazer sulcos de tristeza,


mas nada pode arrancar


a doçura e a beleza


desse teu macio olhar…






Estás sempre aí,


Além, aquém, aqui…


Como rocha milenar


Ancorando nossa esperança


De um reino que não há de acabar…


Estás acima do tempo


Para que façamos dele


Um tecido de estrelas a raiar






Podem os fanáticos


Fazer de ti um mito sem rosto,


Um rei de cetro e com gosto


De tirania celeste.


Mas tu ainda nos lavas os pés


E neste gesto nos deste


A glória de muitas fés.






Mestre, sábio, sublime irmão,


Estás bem perto de nós


E basta abrir uma brecha


No cansado coração


Para ouvirmos o sussurro de tua voz!






Vem aqui, querido Jesus Cristinho


E encontra um lugar, um ninho,


Dentro de nossas casas…


E então teremos asas


Para voar acima dos montes


Abrir azuis horizontes


E enfim, amado amigo,


Sermos assim um contigo! 











Febre Reumática


Febre reumática
Maria Oliveira

A febre reumática é uma doença inflamatória que pode desenvolver-se como complicação de infeções na garganta tratadas inadequadamente. A infeção na garganta é causada pela bactériaestreptococos do grupo A.

A febre reumática é mais comum em em crianças dos 5 aos 15 anos de idade, embora possa desenvolver-se em crianças mais jovens e jovens adultos. Apesar de ser muito raro em países desenvolvidos, a febre reumática continua a ser comum em muitos países em desenvolvimento.

A febre reumática pode causar danos permanentes no coração, incluindo as válvulas cardíacas danificadas e insuficiência cardíaca. Os tratamentos podem reduzir os danos de uma inflamação dos tecidos, diminuir a dor e outros sintomas, e prevenir a recorrência de febre reumática.
Sintomas
Os sintomas de febre reumática podem variar. Algumas pessoas podem ter vários sintomas, enquanto outros experimentam apenas alguns. Os sintomas podem também mudar durante o curso da doença. O início da febre reumática geralmente ocorre cerca de duas a quatro semanas após uma infeção na garganta.

Sinais e sintomas de febre reumática - que resultam de inflamação no coração, articulações, pele ou do sistema nervoso central - pode incluir:
·         Febre
·         Dor nas articulações - na maioria das vezes nos tornozelos, joelhos, cotovelos ou pulsos; menos frequentemente nos ombros, ancas, mãos e pés
·         Dor numa articulação que migra para outro conjunto de articulações
·         Articulações vermelhas, quentes ou inchadas
·         Pequenos nódulos indolores abaixo da pele
·         Dor no peito
·         Sensação de batimentos cardíacos rápidos, ou palpitações
·         Fadiga
·         Falta de ar
·         Erupção cutânea indolor com uma borda irregular
·         Movimentos incontroláveis do corpo, na maioria das vezes nas mãos, pés e rosto
·         Explosões de comportamento incomum, como rir ou chorar sem razão aparente

Quando deve consultar um médico
Seu filho deve ver um médico se ele ou ela tem sinais ou sintomas de infeções na garganta. Tratamento adequado pode prevenir a febre reumática. Chame o seu médico se a criança tem algum dos seguintes sinais ou sintomas:

Dor de garganta, sem sintomas de constipação (resfriado),
Uma dor de garganta acompanhada por aumento dos gânglios linfáticos
Erupção
Dificuldade para engolir qualquer coisa, inclusive saliva
Hemorragia (sangue) do nariz, o que é mais provável em crianças menores de 3 anos de idade
Ligue para o seu médico sobre uma febre nas seguintes situações:
Recém-nascidos até 6 semanas com uma febre de 37,8 C
Crianças de 6 semanas a 2 anos, com uma temperatura de 38,9 C ou superior
Crianças de 2 anos ou mais, com uma febre de 39,4 C ou superior
Qualquer febre que dura mais de três dias
Além disso, consulte o seu médico se o seu filho apresentar quaisquer outros sinais ou sintomas de febre reumática.
Causas
A febre reumática pode ocorrer após uma infeção da garganta com uma bactéria chamada estreptococospyogenes ou estreptococo do grupo A. As infecções da garganta causadas pelo estreptococos pyogenes pode causar se bem que menos comum, escarlatina. Infeções da pele pelo estreptococos pyogenes ou mesmo outras partes do corpo, raramente provocam febre reumática.

A ligação exata entre a infecção por estreptococos e febre reumática não é clara, mas parece que a bactéria "engana" o sistema imunológico. A bactéria contém uma proteína semelhante à encontrada em certos tecidos do corpo. Portanto, as células do sistema imunológico que, normalmente, têm como alvo a bactéria pode tratar os tecidos do próprio corpo, como se fossem agentes infecciosos - especialmente os tecidos do coração, articulações, pele e sistema nervoso central. Esta reação do sistema imunitário resulta em inflamação.

Se o seu filho receber um tratamento imediato e completo com um antibiótico para eliminar as bactérias estreptococos - em outras palavras, tomando todas as doses da medicação prescrita - há pouca ou nenhuma hipótese de desenvolver febre reumática. Se o seu filho tem um ou mais episódios de inflamação de garganta ou escarlatina que não são tratadas ou não tratadas de forma completa, ele ou ela pode - mas não necessariamente - desenvolver febre reumática.
Fatores de risco
Fatores que podem aumentar o risco de febre reumática incluem:

O histórico da família. Algumas pessoas podem levar um gene ou genes que os tornam mais propensos a desenvolver febre reumática.
Tipo de bactéria estreptococos. Certas estirpes de bactérias estreptococos são mais prováveis ​​de contribuir para a febre reumática do que outras estirpes.
Fatores ambientais. Um maior risco de febre reumática está associado a condições, a superlotação  de zonas pobres, e outras condições que podem facilmente resultar na rápida transmissão ou múltiplas exposições à bactéria estreptococos.
Tratamento
Os objetivos do tratamento para a febre reumática são para destruir qualquer grupo restante da bactéria estreptococos, aliviar os sintomas, controlar a inflamação e prevenir episódios recorrentes de febre reumática.

Tratamentos utilizados para a febre reumática incluem:

Antibióticos. O médico irá receitar penicilina ou outro antibiótico para eliminar todas as bactérias estreptococos restantes que possam existir no corpo do seu filho(a).

Após o seu filho(a) ter completado o tratamento completo de antibióticos, o médico começará outro curso de antibióticos para prevenir a recorrência de febre reumática. Este tratamento preventivo geralmente continua até que seu filho tenha pelo menos 20 anos de idade. Se um adolescente mais velho teve febre reumática, ele ou ela pode continuar a tomar os antibióticos após 20 anos de idade para concluir um curso de cinco anos mínimos de tratamento preventivo.

As pessoas que vivenciaram a inflamação do coração quando tiveram febre reumática podem ser aconselhados a tomar o tratamento preventivo com antibióticos por muito tempo ou até mesmo para a vida.

Tratamento anti-inflamatório. O médico irá receitar um analgésico, como a aspirina ou naproxeno, para reduzir a febre, inflamação e dor. Se os sintomas forem graves, ou seu filho (a) não está a responder aos medicamentos anti-inflamatórios, o médico pode prescrever um corticosteroide, como a prednisona.
Medicamentos anticonvulsivantes. Se os movimentos involuntários forem graves, o médico pode prescrever um anticonvulsivante, como o ácido valpróico ou carbamazepina.
Cuidados de longa duração
Discuta com o seu médico que tipo de acompanhamento e de cuidados de longo prazo que o  seu filho(a) vai precisar. Danos ao coração de febre reumática podem não aparecer até que muitos anos passem após a doença aguda. O seu filho(a) deve ser informado de que ele ou ela teve febre reumática, e quando em adulto deve discutir este assunto com o médico.
 http://www.conhecersaude.com
Referencias: Diagnóstico e Terapêutica em Medicina Interna - Otto Miller

O NOVO HOMEM

Nada escapou ao olhar detalhista de Drummond em suas crônicas. Custo de vida? Tem. Escola de samba, carnaval e futebol? Tem. Viagem à lua, briga de vizinho, guerra, paz, brotinho de miniblusa e velhinho de bengala? Tudo isso também tem. Praticamente, não há tema do dia-a-dia que não tenha freqüentado as crônicas do poeta.

Aqui, ele trabalha com o tema do bebê de proveta, do ser humano feito em laboratório. A crônica em versos "O Novo Homem" foi publicada no Jornal do Brasil em 17/12/1967  portanto, 35 anos atrás. A genética nem estava tão avançada assim e Drummond já discutia e ironizava a idéia do ser humano "fabricado", com bebês à la carte, escolhidos num catálogo.
                        
O NOVO HOMEM
O homem será feito
em laboratório.
Será tão perfeito
como no antigório.
Rirá como gente,
beberá cerveja
deliciadamente.
Caçará narceja
e bicho do mato.
Jogará no bicho,
tirará retrato
com o maior capricho.
Usará bermuda
e gola roulée.
Queimará arruda
indo ao canjerê,
e do não-objeto
fará escultura.
Será neoconcreto
se houver censura.
Ganhará dinheiro
e muitos diplomas,
fino cavalheiro
em noventa idiomas.
Chegará a Marte
em seu cavalinho
de ir a toda parte
mesmo sem caminho.
O homem será feito
em laboratório,
muito mais perfeito
do que no antigório.
Dispensa-se amor,
ternura ou desejo.
Seja como flor
(até num bocejo)
salta da retorta
um senhor garoto.
Vai abrindo a porta
com riso maroto:
"Nove meses, eu?
Nem nove minutos."
Quem já conheceu
melhores produtos?
A dor não preside
sua gestação.
Seu nascer elide
o sonho e a aflição.
Nascerá bonito?
Corpo bem talhado?
Claro: não é mito,
é planificado.
Nele, tudo exato,
medido, bem-posto:
o justo formato,
standard do rosto.
Duzentos modelos,
todos atraentes.
(Escolher, ao vê-los,
nossos descendentes.)
Quer um sábio? Peça.
Ministro? Encomende.
Uma ficha impressa
a todos atende.
Perdão: acabou-se
a época dos pais.
Quem comia doce
já não come mais.
Não chame de filho
este ser diverso
que pisa o ladrilho
de outro universo.
Sua independência
é total: sem marca
de família, vence
a lei do patriarca.
Liberto da herança
de sangue ou de afeto,
desconhece a aliança
de avô com seu neto.
Pai: macromolécula;
mãe: tubo de ensaio
e, per omnia secula,
livre, papagaio,
sem memória e sexo,
feliz, por que não?
pois rompeu o nexo
da velha Criação,
eis que o homem feito
em laboratório
sem qualquer defeito
como no antigório,
acabou com o Homem.
Bem feito.



Drummond: 100 anos
Carlos Machado, 2002
Carlos Drummond de Andrade
In Caminhos de João Brandão
(publicado originalmente no JB, 17/12/1967)
José Olympio, 1970
© Graña Drummond


Por que dizer não à medicalização da Educação


Por que dizer não à medicalização da Educação
Pediatras americanos afirmam que a solução para o baixo rendimento escolar e a indisciplina é medicar todas as crianças. Entenda o que está por trás dessa medida
Marília de Lucca (novaescola@atleitor.com.br) (apuração) Editado por Elisa Meirelles
Um médico americano foi notícia recentemente ao propor que todas as crianças com problemas de comportamento e baixo rendimento escolar tomassem remédios indicados para o tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção com ou sem Hiperatividade (TDAH), mesmo que sem terem sido diagnosticadas com o transtorno. Por mais absurda que a teoria seja, já está se formando uma corrente de profissionais que acreditam nela e o tema tem ganho espaço dentro e fora dos Estados Unidos.

Quem apoia a medida argumenta que o esforço e o investimento na Educação das crianças são ineficientes, muito trabalhosos ou excessivamente custosos. A saída mais prática e rápida, então, é usar medicamentos que, alterando a atividade neuroquímica dos estudantes, controlem suas atitudes e domem seus impulsos.
http://revistaescola.abril.com.br/css/img/conteudo-relacionado-texto.png
·         O que é TDAH
Por trás dessa atitude descabida está a discussão sobre o que são problemas de comportamento - que podem e devem ser debatidos dentro da escola - e o que são questões médicas, que demandam acompanhamento profissional e, em alguns casos, o uso de medicamentos.

Nem toda criança agitada ou que não se concentra em classe é hiperativa ou tem déficit de atenção. Muito pelo contrário. Na maioria dos casos, trata-se de características comuns a essa etapa da vida. O entusiasmo, a vontade de se fazer presente no mundo, a energia que precisa ser aplicada em experimentações e brincadeiras fazem parte da aquisição de conhecimento. É papel dos pais e das instituições de ensino prover às crianças momentos apropriados para correr, gritar, conversar, fazer bagunça. Elas precisam de situações em que descansem a mente e cansem o corpo para que, quando chegar a hora de ter concentração para aprender, isso não seja maçante e sofrível.

Quando se nota que grande parte de uma turma está inquieta, improdutiva ou indisciplinada, mais do que ir atrás de remédios, é hora de repensar a maneira como as aulas estão sendo organizadas. Uma sugestão para entender as dificuldades e necessidades dos alunos é abrir um espaço de diálogo. Com isso, sugestões interessantes sobre a disposição do horário das atividades, os assuntos de interesse da maioria da classe e as maneiras de abordá-los podem ser colocadas em debate. A abertura faz com que as crianças entendam que têm voz e de que são diretamente responsáveis por seu processo de aprendizagem.

É importante, também, que a escola propicie reuniões entre os docentes e com especialistas em psicopedagogia para esclarecer dúvidas dos professores com relação à indisciplina. Atitudes como essa ajudam a fortalecer a relação aluno-professor por meio da aproximação e do respeito.

Isso não quer dizer, é claro, que não existam crianças que precisam de apoio médico. Com uma análise cuidadosa da turma - aliada a conversas com as famílias -, é possível identificar quem tem mais dificuldade de concentração e avaliar se é uma questão de disciplina ou se pode ser algo a mais. Geralmente, as crianças que apresentam TDAH não são hiperativas apenas durante as aulas, mas em outros ambientes e durante o sono. O estímulo do cérebro nunca para. Assim, ela dorme mal, tem pesadelos, cai da cama. Se houver a desconfiança, é hora de procurar ajuda profissional.
Os riscos de medicar indiscriminadamente as crianças
Não se pode, em hipótese alguma, dar remédio a alguém sem um diagnóstico claro. O TDAH só pode ser atestado por um médico, após avaliar a criança e conversar com professores e familiares. A análise deve ser criteriosa. Não se pode acreditar em um profissional que faz um check-list do aluno em poucos minutos e ele já sai com uma receita de remédio tarja preta. É preciso que psiquiatras, pediatras, professores e pais enxerguem que a saúde dos estudantes está nas mãos deles.

Medicar as crianças indiscriminadamente, como está sendo proposto nos Estados Unidos, é uma irresponsabilidade. Um remédio errado, tomado por um período extenso, pode afetar física e mentalmente os pacientes. No caso do medicamento para TDAH, que é um neuroestimulante, é possível que a pessoa tenha alternações no desenvolvimento da concentração, do foco e da disciplina. O resultado pode ser uma dependência, não química, mas social de remédios para que o indivíduo se mantenha controlado e comportado.
Vale lembrar ainda que a escola não trabalha com laudos, mas com alunos. Não é aceitável basear-se em um laudo médico para ensinar mais ou menos a uma criança. Todos têm direito à Educação e quem precisa da ajuda de um medicamento não pode ser taxado como "aquele garoto ou garota que toma remédios e que, portanto, não é capaz de aprender".

Ao mestre com carinho


Ao mestre com carinho

Compus esta hipercrônica com uma seleção das minhas citações preferidas sobre educação e sobre o transcendente papel do professor na preparação das gerações futuras. Mais que uma homenagem, é uma forma que encontrei para expressar minha gratidão.
A todos os meus professores,
“Se a Educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.” (Paulo Freire)

“Educar é crescer. E crescer é viver. Educação é, assim, vida no sentido mais autêntico da palavra.”
(Anísio Teixeira)

“A sociedade e cada meio social particular determinam o ideal que a educação realiza.”
(Émile Durkheim)

“O indivíduo é social não como resultado de circunstâncias externas, mas em virtude de uma necessidade interna.”
(Henri Wallon)

“O principal objetivo da Educação é criar pessoas capazes de fazer coisas novas e não simplesmente repetir o que as outras gerações fizeram.”
(Jean Piaget)

“Nós nos tornamos nós mesmos através dos outros.”
(Lev Vygostky)

“A tarefa do professor é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir.”
(Maria Montessori)

“Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.”
(Paulo Freire)

“Só existirá democracia no Brasil no dia em que se montar no país a máquina que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública.”
(Anísio Teixeira)

“Se você acha que educação é cara, experimente a ignorância.”
(Derek Bok)

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.”
(Nelson Mandela)

“O essencial, com efeito, na educação, não é a doutrina ensinada, é o despertar.”
(Ernest Renan)
“A educação é um seguro para a vida e um passaporte para a eternidade.”
(Antonio Guijarro)

“Ensinar é um exercício de imortalidade, que de alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra, sendo que, desse modo, o professor não morre jamais, estando a cada dia no pensamento daqueles a quem ensinou.”
(Rubem Alves)

“Educai as crianças, para que não seja necessário punir os adultos.”
(Pitágoras)

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.”
(Cora Coralina)

“Ninguém é tão grande que não possa aprender, nem tão pequeno que não possa ensinar.”
(Esopo)

“A educação é para a alma o que a escultura é para um bloco de mármore.”
(Joseph Addison)

“Educar não é encher um cântaro, mas sim, acender uma chama.”
(William Yeats)

Convido meus queridos leitores a postarem suas citações prediletas e com isso completar essa singela homenagem...

Liberte a Criança!


Mais do que encher as crianças de presentes e de balas, poderíamos aproveitar esse dia para uma reflexão profunda do lugar que a criança ocupa em nossa sociedade. Precisamos urgentemente promover a abolição da escravatura da criança.
Explico. A criança não tem voz, não tem querer, não tem direito a falar nada, a escolher nada. Sob a tutela do adulto, que ao invés de lhe estimular a autonomia, o crescimento, a vontade própria, só deseja dela uma única virtude: obediência.
A escola é um local de formatação obrigatória das mentes para a obediência em massa, para a sujeição do espírito a um programa medíocre, empobrecedor, em que todas as crianças devem se comportar da mesma maneira, aprendendo as mesmas coisas sem sentido para elas, da mesma forma, ao mesmo tempo, com o mesmo resultado. O principal que se ensina na escola é a competição entre os alunos, a necessidade de obedecer regras que não se sabe quem fez e para quê, a atitude de silêncio e não questionamento. Os conteúdos são esquecidos e passam. O comportamento imposto é para a vida.
As crianças são pessoas criativas, curiosas, sensíveis, amorosas, plenas de senso de justiça. Após o massacre sofrido por anos na escola, elas se tornam adolescentes apáticos, desinteressados, fechados e desiludidos com o aprender e o viver. A escola, coadjuvada pelos pais, mata a pessoa gradativamente; arranca-lhe toda capacidade perguntadeira, toda sensibilidade, e embota o raciocínio com um amontoado de conteúdos sem nexo, sem finalidade, que ao final do vestibular, a maioria de nós esqueceu completamente.
Esse processo tem começado cada vez mais cedo e cada vez de maneira mais feroz. Tenho uma amiga muito querida que trabalha na educação infantil em Santos e está enfrentando uma perseguição absurda porque se rebelou contra o fato das professoras colocarem crianças de 2, 3, 4 anos de castigo, infringindo aliás o Estatuto da Criança e do Adolescente – que proíbe que a criança sofra humilhação e constrangimento. Dizem as professoras – com o apoio da direção e da coordenação – que as crianças foram colocadas “para pensar”! Uma criança de 3 anos “pensando” num canto da sala!! E todo mundo acha que isso é normal, que faz bem, que “impõe limites”. De início, já estamos transformando o ato da reflexão num castigo. Segundo, estamos com isso arrancando a dignidade da criança, que sempre tem de estar em posição de submissão e obediência ao adulto. O caso dessa minha amiga foi levado para a Secretaria de Educação e ela não foi apoiada. Foi posta para fora da sala de aula, por tirar uma criança do castigo!
E o que querem as crianças? Correr, brincar, explorar, fazer fluir sua intensa energia. E o que querem os professores, a escola, o governo, os pais? Fazer com que elas fiquem quietinhas, caladinhas, em fila, obedientes, fazendo atividades que os adultos planejaram, geralmente pobres e desinteressantes.
O que querem as crianças? Perguntar, saber, apalpar a vida, beber a existência, abrir-se para o mundo… O que querem os adultos? Que elas se enquadrem, quanto mais cedo melhor, num sistema de vida em que ficar calado, não questionar, não criticar, não ser livre é a única opção.
A consequência disso já estamos assistindo: para submeter as novas gerações, cada vez mais inquietas e não sujeitas a esse tipo de domesticação, é preciso usar de meios mais poderosos de contenção – mais autoritarismo e agora temos os remédios que ajudam a manter a criança submissa. Outra amiga minha, que trabalha numa Ong, recebe encaminhamento de professoras da educação infantil para médicos e psicólogos porque “elas só querem brincar”, “não param quietas”… Que coisa! Crianças querendo brincar! Isso é um crime ou uma doença! Temos de reprimi-las rapidamente!
No final da educação infantil, agora temos a provinha Brasil, mais um instrumento de enquadramento da infância e um empenho em tornar já a educação infantil um processo de escolarização massacrante, que antes só começava mais fortemente aos 7 anos. Terem passado o primeiro ano para 6 anos é outro sintoma de enquadramento cada vez mais precoce da infância nos parâmetros formatadores da escola. Tenho um sobrinho de 6 anos que já está fazendo “provas”, para meu desgosto absoluto.
Depois disso tudo, vemos alunos querendo bater em professores e as pessoas se espantam, querem chamar a polícia (aliás já chamaram até para crianças de 3 anos)… quando o que acontece e vai acontecer cada vez mais é que este modelo de imposição promovido pela escola gera apenas duas atitudes possíveis: apatia ou revolta. O estado que se estabelece na escola tradicional é um estado de guerra permanente: os professores tentando conter, disciplinar, submeter, obter estudo entediante e compulsório. Os alunos tentando escapar pela divagação, pelo sonho, pela revolta – mais tarde, pode até ser pela droga e pela violência (dependendo das condições familiares e sociais).
Quem assistiu ao maravilhoso filme “Educación Prohibida” poderá constatar que crianças que vão a escolas livres, onde são respeitadas, estimuladas, tratadas como seres pensantes e sensíveis e não como números submissos, têm um desenvolvimento harmonioso, bonito, rápido. Não há violência, guerra, escapismo, onde há liberdade, amor, escolha, estímulo. Onde educadores e educandos têm cumplicidade, amizade, não há risco de violência, conflitos e desrespeito. Eu trabalhei 15 anos em escolas particulares e públicas, em São Paulo e no interior, com crianças desde 2 anos até adolescentes. Nunca um aluno me desrespeitou. Só recebi entusiástico afeto, porque só semeei intenso afeto por elas e respeito como pessoas com vontade e pensamento próprio. Nunca fiquei nas salas dos professores, falando mal dos alunos e escolhendo alguns para serem os bodes expiatórios da escola: os tais alunos-problemas, rotulados, com diagnóstico inapelável de “sem solução”. Ao invés, esses foram sempre os que mais me interessaram e com quem criei mais profundo vínculo. Porque geralmente são os que mais se rebelam contra o sistema.
É claro que teremos assim professores frustrados, doentes, esgotados. É um esforço hercúleo tentar submeter o tempo inteiro a energia vital, a ânsia de autonomia das novas gerações e impor-lhes o remédio amargo de conteúdos prontos, pasteurizados, desinteressantes, de uma lousa sem graça, de um prédio cinza. (Outra amiga minha que dá aula numa escola de periferia em São Paulo no Ensino Fundamental chorou ao me contar que um dia um aluno, que tinha um pai preso, lhe disse olhando em volta da sala: “Prô, você já viu que a nossa escola é igual a uma prisão?”)
Alguns professores se rebelam, querem outra coisa, mas são tragados pelo sistema, como essa minha amiga acima. Outros sucumbem à depressão, têm que sair fora, para poderem se tratar. Mas muitos estão convencidos de que deve ser assim mesmo – são instrumentos inconscientes da opressão da infância e do adolescente. Adotam o discurso do autoritarismo, sem perceber que também eles se tornam uma peça de um sistema, em que eles próprios não têm querer, não tem respeito, não são valorizados. Esses são aqueles que vão passar esses e-mails irritantes, querendo criminalizar o “desrespeito” dos alunos aos professores ou admirando o sistema oriental de “educação”, onde o indivíduo vale menos ainda e está sendo treinado para a obediência absoluta ao sistema.
Enfim, estou aqui transbordando minha extrema indignação com o que a sociedade, a escola, a família, fazem com as crianças. Elas precisam de espaço vital, de espaço para brincarem, aprenderem por si mesmas, explorarem a vida! Precisam de espaço mental, para pensarem, discordarem, perguntarem, serem elas mesmas – cada uma com sua riqueza singular!
A criança é um ser subversivo ao sistema estabelecido. Ela questiona, ela inquieta, ela pergunta, ela tem uma energia transbordante, ela não se enquadra em parâmetros. Por isso, querem matá-la o quanto antes e transformá-la num adultozinho bem comportado e estudioso, calado e obediente. Assim, será mais fácil fazer desse ser humano uma peça descartável num sistema político, social e econômico que não valoriza a pessoa, mas apenas o lucro, o poder e o consumo.
Semear a escola de lírios e jasmins,
Caramanchões de flores,
Caminhos perfumados...
E árvores, muitas árvores,
Dessas sob as quais podemos nos abrigar do sol,
Daquelas que podemos subir e comer os frutos,
E ainda as que podemos abraçar e sentir a seiva da vida.
Semear a escola de crianças correndo
De crianças sorrindo
De crianças perguntadeiras, de olhos brilhantes,
De crianças inventadeiras, dessas que inventam moda,
Dessas que querem sempre mais,
Que nunca param, que nunca se conformam....
Semear a escola de pessoas felizes,
De educadores amorosos, entusiastas, carismáticos,
Desses que gostam de se sentar no chão,
De contar histórias, de tocar violão,
De brincar na terra e de plantar no coração.
Daqueles que têm ainda nos olhos uma criança perguntadeira,
Daqueles que querem saber de tudo e nunca acham que sabem tudo.
Quando a escola for esse jardim,
Me chamem para nela habitar
E o mundo terá virado um lugar
Semeado de paz

Dora Incontri


AZUL

AZUL

PERNAMBUCO

PERNAMBUCO
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