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Liberte a Criança!


Mais do que encher as crianças de presentes e de balas, poderíamos aproveitar esse dia para uma reflexão profunda do lugar que a criança ocupa em nossa sociedade. Precisamos urgentemente promover a abolição da escravatura da criança.
Explico. A criança não tem voz, não tem querer, não tem direito a falar nada, a escolher nada. Sob a tutela do adulto, que ao invés de lhe estimular a autonomia, o crescimento, a vontade própria, só deseja dela uma única virtude: obediência.
A escola é um local de formatação obrigatória das mentes para a obediência em massa, para a sujeição do espírito a um programa medíocre, empobrecedor, em que todas as crianças devem se comportar da mesma maneira, aprendendo as mesmas coisas sem sentido para elas, da mesma forma, ao mesmo tempo, com o mesmo resultado. O principal que se ensina na escola é a competição entre os alunos, a necessidade de obedecer regras que não se sabe quem fez e para quê, a atitude de silêncio e não questionamento. Os conteúdos são esquecidos e passam. O comportamento imposto é para a vida.
As crianças são pessoas criativas, curiosas, sensíveis, amorosas, plenas de senso de justiça. Após o massacre sofrido por anos na escola, elas se tornam adolescentes apáticos, desinteressados, fechados e desiludidos com o aprender e o viver. A escola, coadjuvada pelos pais, mata a pessoa gradativamente; arranca-lhe toda capacidade perguntadeira, toda sensibilidade, e embota o raciocínio com um amontoado de conteúdos sem nexo, sem finalidade, que ao final do vestibular, a maioria de nós esqueceu completamente.
Esse processo tem começado cada vez mais cedo e cada vez de maneira mais feroz. Tenho uma amiga muito querida que trabalha na educação infantil em Santos e está enfrentando uma perseguição absurda porque se rebelou contra o fato das professoras colocarem crianças de 2, 3, 4 anos de castigo, infringindo aliás o Estatuto da Criança e do Adolescente – que proíbe que a criança sofra humilhação e constrangimento. Dizem as professoras – com o apoio da direção e da coordenação – que as crianças foram colocadas “para pensar”! Uma criança de 3 anos “pensando” num canto da sala!! E todo mundo acha que isso é normal, que faz bem, que “impõe limites”. De início, já estamos transformando o ato da reflexão num castigo. Segundo, estamos com isso arrancando a dignidade da criança, que sempre tem de estar em posição de submissão e obediência ao adulto. O caso dessa minha amiga foi levado para a Secretaria de Educação e ela não foi apoiada. Foi posta para fora da sala de aula, por tirar uma criança do castigo!
E o que querem as crianças? Correr, brincar, explorar, fazer fluir sua intensa energia. E o que querem os professores, a escola, o governo, os pais? Fazer com que elas fiquem quietinhas, caladinhas, em fila, obedientes, fazendo atividades que os adultos planejaram, geralmente pobres e desinteressantes.
O que querem as crianças? Perguntar, saber, apalpar a vida, beber a existência, abrir-se para o mundo… O que querem os adultos? Que elas se enquadrem, quanto mais cedo melhor, num sistema de vida em que ficar calado, não questionar, não criticar, não ser livre é a única opção.
A consequência disso já estamos assistindo: para submeter as novas gerações, cada vez mais inquietas e não sujeitas a esse tipo de domesticação, é preciso usar de meios mais poderosos de contenção – mais autoritarismo e agora temos os remédios que ajudam a manter a criança submissa. Outra amiga minha, que trabalha numa Ong, recebe encaminhamento de professoras da educação infantil para médicos e psicólogos porque “elas só querem brincar”, “não param quietas”… Que coisa! Crianças querendo brincar! Isso é um crime ou uma doença! Temos de reprimi-las rapidamente!
No final da educação infantil, agora temos a provinha Brasil, mais um instrumento de enquadramento da infância e um empenho em tornar já a educação infantil um processo de escolarização massacrante, que antes só começava mais fortemente aos 7 anos. Terem passado o primeiro ano para 6 anos é outro sintoma de enquadramento cada vez mais precoce da infância nos parâmetros formatadores da escola. Tenho um sobrinho de 6 anos que já está fazendo “provas”, para meu desgosto absoluto.
Depois disso tudo, vemos alunos querendo bater em professores e as pessoas se espantam, querem chamar a polícia (aliás já chamaram até para crianças de 3 anos)… quando o que acontece e vai acontecer cada vez mais é que este modelo de imposição promovido pela escola gera apenas duas atitudes possíveis: apatia ou revolta. O estado que se estabelece na escola tradicional é um estado de guerra permanente: os professores tentando conter, disciplinar, submeter, obter estudo entediante e compulsório. Os alunos tentando escapar pela divagação, pelo sonho, pela revolta – mais tarde, pode até ser pela droga e pela violência (dependendo das condições familiares e sociais).
Quem assistiu ao maravilhoso filme “Educación Prohibida” poderá constatar que crianças que vão a escolas livres, onde são respeitadas, estimuladas, tratadas como seres pensantes e sensíveis e não como números submissos, têm um desenvolvimento harmonioso, bonito, rápido. Não há violência, guerra, escapismo, onde há liberdade, amor, escolha, estímulo. Onde educadores e educandos têm cumplicidade, amizade, não há risco de violência, conflitos e desrespeito. Eu trabalhei 15 anos em escolas particulares e públicas, em São Paulo e no interior, com crianças desde 2 anos até adolescentes. Nunca um aluno me desrespeitou. Só recebi entusiástico afeto, porque só semeei intenso afeto por elas e respeito como pessoas com vontade e pensamento próprio. Nunca fiquei nas salas dos professores, falando mal dos alunos e escolhendo alguns para serem os bodes expiatórios da escola: os tais alunos-problemas, rotulados, com diagnóstico inapelável de “sem solução”. Ao invés, esses foram sempre os que mais me interessaram e com quem criei mais profundo vínculo. Porque geralmente são os que mais se rebelam contra o sistema.
É claro que teremos assim professores frustrados, doentes, esgotados. É um esforço hercúleo tentar submeter o tempo inteiro a energia vital, a ânsia de autonomia das novas gerações e impor-lhes o remédio amargo de conteúdos prontos, pasteurizados, desinteressantes, de uma lousa sem graça, de um prédio cinza. (Outra amiga minha que dá aula numa escola de periferia em São Paulo no Ensino Fundamental chorou ao me contar que um dia um aluno, que tinha um pai preso, lhe disse olhando em volta da sala: “Prô, você já viu que a nossa escola é igual a uma prisão?”)
Alguns professores se rebelam, querem outra coisa, mas são tragados pelo sistema, como essa minha amiga acima. Outros sucumbem à depressão, têm que sair fora, para poderem se tratar. Mas muitos estão convencidos de que deve ser assim mesmo – são instrumentos inconscientes da opressão da infância e do adolescente. Adotam o discurso do autoritarismo, sem perceber que também eles se tornam uma peça de um sistema, em que eles próprios não têm querer, não tem respeito, não são valorizados. Esses são aqueles que vão passar esses e-mails irritantes, querendo criminalizar o “desrespeito” dos alunos aos professores ou admirando o sistema oriental de “educação”, onde o indivíduo vale menos ainda e está sendo treinado para a obediência absoluta ao sistema.
Enfim, estou aqui transbordando minha extrema indignação com o que a sociedade, a escola, a família, fazem com as crianças. Elas precisam de espaço vital, de espaço para brincarem, aprenderem por si mesmas, explorarem a vida! Precisam de espaço mental, para pensarem, discordarem, perguntarem, serem elas mesmas – cada uma com sua riqueza singular!
A criança é um ser subversivo ao sistema estabelecido. Ela questiona, ela inquieta, ela pergunta, ela tem uma energia transbordante, ela não se enquadra em parâmetros. Por isso, querem matá-la o quanto antes e transformá-la num adultozinho bem comportado e estudioso, calado e obediente. Assim, será mais fácil fazer desse ser humano uma peça descartável num sistema político, social e econômico que não valoriza a pessoa, mas apenas o lucro, o poder e o consumo.
Semear a escola de lírios e jasmins,
Caramanchões de flores,
Caminhos perfumados...
E árvores, muitas árvores,
Dessas sob as quais podemos nos abrigar do sol,
Daquelas que podemos subir e comer os frutos,
E ainda as que podemos abraçar e sentir a seiva da vida.
Semear a escola de crianças correndo
De crianças sorrindo
De crianças perguntadeiras, de olhos brilhantes,
De crianças inventadeiras, dessas que inventam moda,
Dessas que querem sempre mais,
Que nunca param, que nunca se conformam....
Semear a escola de pessoas felizes,
De educadores amorosos, entusiastas, carismáticos,
Desses que gostam de se sentar no chão,
De contar histórias, de tocar violão,
De brincar na terra e de plantar no coração.
Daqueles que têm ainda nos olhos uma criança perguntadeira,
Daqueles que querem saber de tudo e nunca acham que sabem tudo.
Quando a escola for esse jardim,
Me chamem para nela habitar
E o mundo terá virado um lugar
Semeado de paz

Dora Incontri


MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA


MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA
Jorge Paulete Vanrell, MD

Ao menos em tese, pensar-se-ia na criança como um ser inserido no seu meio familiar do qual derivam, de forma natural e espontânea, todas as atenções afetivas e materiais que necessita para o seu normal desenvolvimento. Todavia, há ocasiões em que este mesmo núcleo familiar se torna hostil para com o menor, resultando no abandono, nos maus-tratos, nos abusos sexuais e, muitas vezes, até na morte.

Assim, os maus-tratos têm sido racionalizados, através dos tempos, pelas mais variadas justificativas conhecidas, desde práticas e crenças religiosas, motivos disciplinares e educacionais e, em grau mais amplo, com fins econômicos. As referências a abusos físicos extremos nos menores para conseguir retorno econômico dos seus ascendentes, não se podem considerar uma novidade. Foram freqüêntes durante a Revolução Industrial, mesmo em países tidos como mais desenvolvidos da época, como Grã Bretanha e Estados Unidos.

A mídia, em suas diversas formas, não raro registra, com vívidos detalhes, casos de crianças deixadas acorrentadas em cômodos escuros, diariamente, por semanas ou durante meses; crianças de pequena idade que são limitadas ao seu próprio berço por dias e dias; crianças que são dependuradas pelos seus punhos em canos de chuveiro ou suportes semelhantes; crianças que sofrem exposição prolongada a temperaturas extremas, e que incluem forçar os infantes a ficarem sentados, nus, sobre blocos de gelo; castigos térmicos diversos, indo desde a queimadura com brasa de cigarros, ou a obrigatoriedade de "secar as calças molhadas", sentando encima de uma estufa, ou mergulhando em água fervendo a mão esquerda que, obstinadamente, tenta segurar o lápis para escrever, no caso de uma criança canhota...

Já houve casos em que a morte se deu por inalação de pó de pimenta-do-reino e outra por pó de pimenta malagueta, ministradas por razões "disciplinares", sem contar com os casos, que não são poucos, de crianças falecidas por inanição, a espera de que mantidas sem comer, mudassem seus comportamentos...

Infelizmente, longe de se tratar de esporádicos registros históricos que apenas ocorrem em outros países, quase que a diário vemos as telas dos nossos lares invadidas por figuras de tenra idade - 4 a 6 anos -, labutando para obter pequenos ganhos, de centavos por dia, trabalhando, muitas vezes acorrentados- por grilhões materiais ou simplesmente morais -, ora nas pedreiras obtendo cascalho manualmente, ora nas plantações cortando, carregando e alimentando as moendas para extrair sisal, ora, nos fornos de carvão, ora nas calçadas elegantes da orla marítima, prestando-se ao "jogo" dos interesses maiores do turismo sexual, figuras amorfas formando uma fantasmagórica legião de esquecidos, de crianças sem hoje e sem amanhã.

Quantas Crianças Recebem Maus-tratos?

Estatísticas dos Estados Unidos, estimam que o número de crianças que eram encaminhadas para os serviços de proteção da infância, anualmente, oscilava entre 250.000 e 500.000, já em 1966. Esse número cresceu para 1.200.000 casos em 1986, duplicando para 2.400.000 atendimentos por ano, em 1996.

No Brasil, não temos estatísticas nacionais fidedignas, apenas registros esparsos de serviços isolados ou de núcleos de atendimento, que estão longe de espelhar a realidade atual no País, antes somente de micro-regiões.

O primeiro caso noticiado no Brasil, foi por Canger Rodrigues et al., em 1974, sendo logo seguido por três observações de Teixeira (1978, 1980), um dos pesquisadores que mais tem dado a devida atenção que este quadro merece, designando-o como 'SIBE -Síndrome do Bebê Espancado'.

Esta designação decorre de que a agressão mais freqüente é a mecânica, isto é, a tapas, socos, chutes, por vezes dentadas, terminando por jogar o bebê nochão, ou girá-lo pelo ar, preso pelos pés e, às vezes, escapando das mãos... batendo a cabeça na parede, em móveis etc. Todavia, outras vezes a agressão é térmica: os agentes queimam as crianças com água fervente ou com cigarros, quando não com a chapa do fogão...! Em alguns casos a agressão é sexual: os pais praticam atos sexuais com seus filhos; para outros a agressão é química, dando bebidas alcoólicas ou medicamentos para a criança dormir sem incomodar, e outros, enfim, negam alimentos e água, deixando a criança morrer de fome e de sede, não raro agredindo-a, também e paralelamente.

Trata-se, em geral, de um sério problema, de uma agressão inacreditável da mãe (ou do pai, madrasta, padrasto, companheiro) sobre a criança, o bebê, e, o que é pior, efetuada dentro da própria casa, assumindo, pela repetição, o aspecto de uma verdadeira tortura e transformando, desta maneira, o que deveria ser o lar, numa prisão, numa armadilha sem escapatória!

Resultado: o bebê não anda e não fala. E como conseqüência: 
a) não reage, nem se defende, por não possuir condiçãofísica suficiente; 
b) não escapa, já que não anda, nem corre e, 
c) não denuncia, uma vez que não fala.

Daí se afirmar que, para uma mãe ou para um pai malvados, para uma mãe ou para um pai que tenham perdido o mais elementar instinto de conservação da prole, o bebêé uma vítima "ideal": apanha freqüentemente, sem poder escapar ou denunciar seu agressor, o que torna ainda mais fácila repetição da agressão que, assim, permanece oculta. E isto não é apenas com os bebês, mas acontece de maneira semelhante com as crianças de baixa idade e mesmo em idade escolar.

Neste trabalho, analisa-se o comportamento agressivo contra as crianças na base geográfica da 8ª RegiãoAdministrativa do Estado de São Paulo, no ano de 1996, com fulcro nos dados obtidos no Setor de Perícias Médico-Legais de SãoJosé do Rio Preto e nos Serviços de Emergência, Pronto-Socorros e sucedâneos locais.

FAIXA ETÁRIA 


Faixa etária 0-6 7-12 13-18
Freqüência 60 25 15
A AUTORIA DOS MAUS TRATOS

Na nossa casuística, a autoria das agressões se distribui entre: 


mãe pai mãe+pai respons.
43 33 10 14 

PRINCIPAIS CAUSAS (%) 


Alcoolismo Desorganização 
Familiar Distúrbios 
Psiquiátricos Distúrbios 
de Comportamento
50 30 10 10
CLÍNICA DOS MAUS-TRATOS

Atitude da criança

O procedimento clínico mais simples - a observação, silenciosa e desarmada - geralmente é suficiente obter a maioriados subsídios necessários para, na suspeita de maus-tratos, estabelecer sua realidade e permitir sua caracterização. Dados como a desnutrição e o retardo pondero-estatural, de aparecimento freqüente, apontam para deficiências nutricionaise/ou hipoalimentação, bem como para privação afetiva.

Deve-se atentar para o fato, quando a criança,ao ser examinada pelo médico, tanto no ambulatório, quanto no domicílio, apática ou triste. Outras vezes, mostra-sereceosa ou francamente temerosa, protegendo o seu rosto com mãose antebraços ou fechando os olhos quando o médico se aproxima,como forma espontânea de defesa perante situações que imagina semelhantes àquelas em que lhe fora imposto um castigo ouem que tenha recebido um trauma.

O DIAGNÓSTICO DOS MAUS-TRATOS

Longe de ser uma tarefa específica de especialistas, realizar o diagnóstico da ocorrência de maus-tratos éuma tarefa/dever de qualquer pessoa, no exercício de sua cidadania.

Quando ter a suspeita

Talvez uma atitude esperada e uma capacidade centralizada de observação, sejam ferramentas suficientes para por mãosà obra. Nesta linha de raciocínio, deve-se suspeitar de tudo e de todos - uma verdadeira dúvida sistemática - mas, principalmente, das lesões esquisitas ou mal explicadas, mormente quando não se coadunem com as "explicações" dadas pelos familiares ou tutores para:

equimoses múltiplas, em várias regiões do corpo, com cores diferentes ("espectro equimótico"). 
equimoses com a forma de "marcas de dedos" nos braços e no tórax; 
hematoma orbitário ("olho roxo"); equimoses em locais pouco expostos; 
lesões atuais e/ou deformações cicatriciais nas orelhas ("orelha de boxeador" ou "orelha em couve-flor"); 
contusões na região frontal ou no queixo; 
laceraçõesde lábios (frênulo labial) e/ou arrancamento de peças dentárias ("dentes de leite"); ¨ marcas de mordidas,atribuídas a um "excesso de carinho"; 
queimaduras por cigarro; queimaduras por escaldamento; 
equimoses precisas, imprimindo o formato dos objetos que as produziram; 
lesões de órgãos genitais; fraturas de ossos longos com diferente cronologia de consolidação; 
referências hospitalares de traumatismo crânio-encefálico (TCE), ou de traumatismos abdominais com lesões graves de órgãos internos.

Quando redobrar a atenção

O observador deve desconfiar, quando da ocorrência dessas lesões esquisitas, notadamente naquelas situações em que:

Existam relatos diferentes dos responsáveis, interrogados isoladamente e sem comunicação entre eles, sobre a origem das lesões. 
Exista demora inexplicável dos responsáveis em procurar o atendimento médico cuja necessidade, na maioria das vezes, é evidente até para os olhos leigos, face à gravidade das lesões. Exista incongruência entre as explicações simplistas sobre a origem das lesões e a multiplicidade e/ou gravidade dos achados clínicos, traumáticos e radiográficos. 
Tenha havido procura por atendimento médico através de profissionais diversos ou hospitais diferentes, nos distintos e sucessivos episódios traumáticos (visando evitar o cruzamento das informações dos registros ou dos prontuários médicos). 
Seja apresentada uma criança ou bebê desnutrido e descuidado, configurando a Síndrome da Criança Negligenciada.

O QUE FAZER

Nesses casos, a conduta deve ser:

Levar a criança para o hospital (Pronto Atendimento, Emergência etc.). 
Radiografar o corpo inteiro. 
Efetuar uma junta entre os Médicos envolvidos (pediatra, ortopedista, radiologista e legista), psicólogo e assistente social. 
Internar (quando confirmado o diagnóstico de Sídrome do bebêespancado). 
Convocar ou comunicar a autoridade policial. 
Comunicar, se possível, a autoridade judicial ou o promotor público (Curador de Menores) principalmente em face do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Autor: Jorge Paulete Vanrell, MD, DSc, LLB, BSE, médico legista, especialista em Medicina do Trabalho. Professor de Psicopatologia no Curso de Psicologia Clínica da FARFI, São José do Rio Preto (SP), Professor de Medicina Legal no Curso de Direito das FIRP, São José do Rio Preto (SP), Professor de Medicina Legal e de Criminologia da Academia de Polícia de São Paulo. Fellow, Department of Pathology, Dartmouth Medical School, NH, USA (1970). Pesquisador Convidado, Departamento de Genética da Universidade Nacional Autônoma do México (1971). 
Email: pericias.jpv@terra.com.br 

O Adolescente e o namoro


Blogagem coletiva proposta pela amiga Rosélia,do blog Espiritual-idade,Rosa do Luzdeluma e Rute do Publicarparapartilhar.Será uma coletiva intutalada:O AMOR EM PEDAÇOS OU O AMOR POR PARTES.Hoje iniciando com a fase do ENCANTAMENTO.Poderia falar de mim,sobre mim,já que teria muito pra dizer pela experiência que a vida nos dá,todavia,escolhi mostrar A VIDA COMO ELA É DE FATO,no que espero ser útil à todos que nos leiam;Aos mais velhos explicando os porquês de tudo que já foi vivenciado e aos mais jovens,fortalecendo a paciência,a tolerância,a compreensão,a lealdade,a amizade,a cumplicidade etc...Elementos essenciais para a sobrevivência do AMOR.
                                             FOTOS  DA FASE DO ENCANTAMENTO
                                                     AS CRIANÇAS SÃO PRIMOS...RSRS

O ADOLESCENTE E O NAMORO

Na fase da adolescência, a atração sexual é portadora de alta carga de
magnetismo.
Surge, inesperadamente, a necessidade de intercâmbio afetivo, que o
jovem ainda não sabe definir. Os interesses infantis são superados e as
aspirações acalentadas até então desaparecem, a fim de cederem lugar a
outras motivações, normalmente através do relacionamento interpessoal. Os
hormônios, amadurecendo e produzindo as alterações  orgânicas, também
trabalham no psiquismo, desenvolvendo aptidões e anseios que antes não
existiam.
Nesse momento, os adolescentes olham-se surpresos,  observam as
modificações externas e descobrem anseios a que não estavam acostumados.
São tomados de constrangimento numa primeira fase, depois, de inquietação,
por fim, de certa audácia, iniciando-se as experiências dos namoros.
Referimo-nos ao processo natural, sem as precipitações propostas pelas
insinuações, provocações e licenças morais de toda  ordem que assolam o
mundo juvenil, conspirando contra a sua realização interior.
Estimulados por essa falsa liberdade, mentalmente
alertados antes de experimentarem as legítimas expressões do sentimento,
atiram-se na desabalada busca do sexo, sem qualquer compromisso com a
emoção, transtornando-se e perdendo a linha do desenvolvimento normal,
passo a passo, corpo e mente.
Prematuramente amadurecidos, perdem o controle da responsabilidade e
passam a agir como autômatos, vendo, no parceiro, apenas um objeto de uso
momentâneo, que deve ser abandonado após o conúbio, a fim de partir na
busca de nova companhia, para atender a sede de variação promíscua e
alienadora.
O namoro é uma necessidade psicológica, parte importante do
desenvolvimento da personalidade e da aprendizagem  afetiva dos jovens,
porquanto, na amizade pura e simples são identificados valores e descobertos
interesses mais profundos, que irão cimentar a segurança psicológica quando
no enfrentamento das responsabilidades futuras.
Trata-se de um período de aproximação pessoal, de intercâmbio
emocional através de diálogos ricos de idealismos, de promessas — que nem
sempre se cumprem, mas que fazem parte do jogo afetivo — e sonhos, quando
a beleza juvenil se inspira e produz.
As artes, em geral, a literatura, a poesia, a estética descobriram na
afetividade juvenil suas verdadeiras musas, que passaram a contribuir em favor
do enriquecimento da vida, através das lentes róseas dos enamorados. Todo
um mundo dourado e azul, trabalhado nas estrelas e no luar, no perfume das
flores e nos favônios dos entardeceres, aparece quando os jovens se
encontram e despertam intimamente para a afetividade.
O recato, a ternura, a esperança, o carinho e o encantamento constituem
as marcas essenciais desses encontros abençoados pela vida. As dificuldades
parecem destituídas de significado e os problemas são teoricamente de
soluções muito fáceis, convidando à luta com que se estruturam para os
investimentos mais pesados do futuro.
O desconhecimento do corpo e a inexperiência da sua utilização, nesse
período, cedem lugar a um descobrimento digno, compensador, que predispõe
aos relacionamentos tranquilos, estimulantes.
Igualmente nesse curso do namoro se identificam as  diferenças de
interesse, de comportamento psicológico, de atração sexual e moral, cultural e
afetiva.
O adolescente, às vezes, encantador, que desperta sensualidade nos
outros, no convívio pode apresentar-se frívolo, vazio de idealismo, desprovido
de beleza, que são requisitos de sustentação dos relacionamentos, e logo
desaparece a atração, que não passava de estímulo sexual sem maior
significado.
Quando o namoro derrapa em relacionamento do sexo, por curiosidade e
precipitação, sem a necessária maturidade psicológica nem a conveniente
preparação emocional, produz frustração, assinalando o ato com futuras
coarctações, que passam a criar conflitos e produzir fugas, gerando no mundo
mental dos parceiros receios injustificáveis ou ressentimentos prejudiciais.
Não raro, esses choques levam a práticas indevidas  e preferências
mórbidas, que se transformam em patologias inquietantes na área do
comportamento sexual.
É natural que assim suceda, porque o sexo é departamento divino da
organização física, a serviço da vida e da renovação emocional da criatura, não
podendo ser usado indiscriminadamente por capricho  ou por mecanismos de
afirmação da polaridade biológica de cada qual.
O indivíduo tem necessidade de exercer a função sexual, como a tem de
alimentar-se para viver. Não obstante essa função,  porque reprodutora, traz
antecedentes profundos fixados nos painéis do Espírito, arquivados no
inconsciente, que não interpretados corretamente se encarregam de levá-lo a
transtornos psicóticos significativos.
O período do namoro, portanto, é preparatório, a fim de predispor os
adolescentes ao conhecimento das suas funções orgânicas, que podem ser
bem direcionadas e administradas sem vilania, mantendo o alto padrão de
consciência em relação ao seu uso.
As carícias se encarregam de entretecer compensações afetivas e
preencher lacunas do sentimento, traduzindo a necessidade do
companheirismo, da conversação, da troca de opiniões, do intercâmbio de
aspirações.
O mundo começa também a ser descoberto e programas são delineados,
nesse comenos afetuoso, tendo em vista a possibilidade de estar próximo do
ser querido e com ele compartir dores e repartir alegrias.
As dificuldades e conflitos íntimos, face à aproximação afetiva, são
debatidos e buscam-se fórmulas para superá-los e resolvê-los.
Um auxilia o outro e abrem-se os corações, pedindo auxílio recíproco.
Quando isso não ocorre, há todo um jogo de mentiras e aparências que
não correspondem à realidade, e cada um dos parceiros pretende demonstrar
experiências que não consolidou, e que se encontram na imaginação, como
decorrência de informações incorretas ou de usos inadequados, que exalta,
tornando-se agressivo e primário, sem a preocupação de causar ou não trauma
no parceiro.
Merece considerar, também, que nessa fase, o jovem  desperta para as
suas faculdades paranormais, suas inseguranças e ansiedades estão em
desordem, propiciando, pela natural lei de causa e  efeito, a aproximação de
antigos comparsas, que procedem de reencarnações passadas e agora se
acercam para darem prosseguimento a infelizes obsessões, particularmente na
área sexual.
          Grande número de adversários espirituais  é constituído de afetos
abandonados, traídos, magoados, infelicitados, que  não souberam superar o
drama e retornam esfaimados de paixões negativas, buscando aqueles que
lhes causaram danos, a fim de se desforçarem, investindo, desse modo,
furiosos e cruéis, contra quem lhes teria prejudicado.
          Esse é um capítulo muito delicado, que não pode ser deixado à margem,
merecendo análise especial.
          Assim, o namoro preenche a lacuna da imaturidade e propicia renovação
psicológica e conforto físico, sem ardência de paixão, nem frustração amorosa
antes do tempo.

Do livro ADOLESCÊNCIA E VIDA – DIVALDO P.FRANCO/JOANNA DE ÂNGELIS

SERÁ QUE O BRASIL VAI PERDER ESTA OPORTUNIDADE?



 Saara Nousiainen

Aflige-nos perceber que o Brasil pode estar perdendo a oportunidade de iniciar um processo de transformações na mentalidade vigente, permeada que se encontra pela desonestidade, injustiça, falta de ética, falta de respeito em todas as suas dimensões; com a agressividade à flor da pele e outros valores negativos que impedem a nação de tornar-se um país que promova verdadeiramente justiça e bem-estar para seus filhos.

Somos um grupo informal de pedagogos, todos voluntários, responsáveis pelo Projeto Sócio-Educativo “Cinco Minutos de Valores Humanos para a Escola”, disponibilizado na Internet de forma inteiramente gratuita desde o final de 2008 no site, www.cincominutos.org, constando nos registros, até hoje, mais de 32.000 downloads do material didático para escolas nas mais diversas partes do país. Esse Projeto recebe apoio de várias secretarias de educação e também do MEC:  http://portaldoprofessor.mec.gov.br/link.html?categoria=19

Sabedores de que o Conselho Nacional de Educação – CNE está promovendo um louvável debate, em nível nacional, visando inserir a disciplina Direitos Humanos nos currículos escolares do ensino básico e superior, estamos solicitando a todos que estejam, ou não, vinculados a esse debate, para que façam uma reflexão sobre o seguinte:
Por mais louvável que seja, esse esforço do CNE não terá o efeito desejado, porque não alcança a essência das necessidades educativas do ser humano. Informa, mas não forma o caráter.
O mais coerente seria incluir Valores Humanos nesse debate, pelas seguintes razões:
O aprendizado de Valores Humanos gera transformações interiores, criando alicerces mais sólidos a se refletirem nas atitudes. É recurso único para formar cidadãos que poderão vir a realizar uma sociedade mais pacífica, mais ética, mais justa e mais feliz.
Um dos aprendizados mais importantes em Valores Humanos refere-se ao respeito, em todas as suas dimensões. Quem aprende a respeitar o outro, apesar de quaisquer diferenças, já está vivenciando os Direitos Humanos que lhe cabe considerar.
As crianças e jovens que recebem diuturnamente ensinamentos sobre honestidade, não violência, ética, justiça, verdade, solidariedade, afetividade, respeito, etc., vão internalizando esses valores, aprendendo a vivenciá-los em seu cotidiano. Também aprendem a olhar o outro com um olhar de acolhimento, de paz, que são os fundamentos da não violência. Seu preparo, portanto, será bem mais amplo, porque promove a formação do caráter, incluindo o respeito pelos próprios Direitos Humanos.

Observe-se que o ensino de Valores Humanos nas escolas do país será o início de mudanças lentas, mas estruturais, sistemáticas e progressivas porque começa pela reformulação da mentalidade das novas gerações. Também não dará mais despesas à nação, e é de fácil implantação pelas escolas, posto que já existem excelentes conteúdos, inteiramente gratuitos (via Internet) para o ensino desses valores em sala de aula.

Diante do exposto, insistimos na rogativa para que colabore, na forma que for possível, para que o Conselho Nacional de Educação (CNE) concorde em incluir o ensino de Valores Humanos nos currículos escolares, nem que seja associado a outra disciplina.

Pensemos nas mudanças que ocorrerão na sociedade nos próximos 10 ou 15 anos, se o ensino de Valores Humanos for ministrado em todas as escolas do país, de forma que as novas gerações possam internalizá-las, gerando as transformações comportamentais imprescindíveis para que a sociedade, como um todo, possa tornar-se mais pacífica, mais justa, mais honesta e mais feliz.

Estamos, assim, solicitando seu apoio para este movimento, a fim de o Brasil não venha a perder esta oportunidade, tão preciosa, de iniciar um processo de transformações na mentalidade vigente, condição única para podermos sonhar com um futuro melhor para nós e para nossos descendentes.


AZUL

AZUL

PERNAMBUCO

PERNAMBUCO
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