ESCOLHE OLHAR
AS BENÇÃOS
Fátima Irene Pinto
Se a doença te visita
trazendo-te sofrimento, medo, apreensão,
escolhe olhar as bênçãos. Não
dês força para a doença.
Escolhe olhar para as outras
partes de tua vida onde tudo está fluindo normalmente.
Se perdeste um ente
querido cuja ausência deixou-te pela metade,
escolhe olhar as bênçãos. Não
te detenhas na perda.
Olha para os que ficaram
e precisam da tua força, do teu
sorriso, da tua presença.
Olha para ti mesmo. És
responsável pelo teu bem estar.
Se dificuldades financeiras te
afligem, não as aumente com reclamações e desatinos.
Talvez seja um treino, uma
lição a ser aprendida que se mostrará muito útil no transcorrer da tua vida.
Escolhe olhar as bênçãos pois
certamente há milhares delas ocorrendo em tua volta neste exato momento.
Se estás passando por grande
injustiça, humilhação, traição ou abandono,
se tuas melhores virtudes não
são reconhecidas nem valorizadas pelos que te cercam, não oprimas ainda mais a ti mesmo alimentando
mágoas, ira ou desalento.
Escolhe olhar as bênçãos que,
com certeza, ainda vicejam no jardim da tua existência.
Se um mal incurável
apresentou-se-te sinalizando a bancarrota de todos os teus ideais e de todo
o teu amor à vida, não te deixes tomar pelo desespero. Escolhe viver o tempo
que te resta da melhor maneira possível, lembrando que a morte é a grande
niveladora para todos, indistintamente. Mas enquanto ainda há vida, escolhe olhar as bênçãos
que já desfrutaste e as muitas que ainda estão bem ao alcance de tua
mão.
Se atravessas momentos de
grande aflição, perdido dentro de ti mesmo,
se perdeste a fé em ti, em
Deus e nos homens,
se vês cair por terra a
construção que levaste anos para erigir,
se percebes que será preciso
rejuntar todos os cacos para recompor uma vida onde nada mais será como antes, tenta manter-te
sereno e flexível.
Confia ao menos no tempo que,
no momento certo, te fará renascer das cinzas.
Insiste em olhar as bênçãos.
Elas estão presentes como o sol que as nuvens momentaneamente
obscureceram.
Em todos as fases da tua vida,
por mais desafiadoras que se te apresentem, por mais que onerem tua
alma ao limite do insuportável para ti, tenta aquietar-te por um
momento e tenta deter-te no Bem.
Acalma-te!
Talvez argumente o
leitor: dizes isto porque não estás em minha pele, ignoras o meu fardo,
não passaste pelo que eu estou
passando.
Não, meu amigo! Apenas eu
tenho verificado que qualquer fardo, por mais esmagador que seja,
torna-se mais leve e mais fácil de
ser carregado ou suportado quando
escolhemos não fortalecê-lo, mas preferimos integrá-lo, aceitá-lo ou
resolvê-lo, insistindo em olhar as
bênçãos que se apresentam generosas e abundantes, mesmo em meio ao caos.
Fátima Irene
Pinto
Descalvado - SP
No livro: Ecos da Alma















