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Mamãe, por que Dilma foi presa?


7:00 | sex , 5/11/2010
Kátia Mello
DO BLOG MULHER7X7

A pergunta foi feita pelo meu filho de quatro anos, logo após assistir a entrevista de Dilma Rousseff , como presidente eleita,  nesta terça-feira 9, no Jornal Nacional. Normalmente, minhas crianças nunca assistem aos noticiários, por conta do conteúdo violento. Como eu não queria perder essa entrevista, adiei um pouco a hora de colocá-lo para dormir, mas nunca imaginei que tivesse que responder a esse pergunta ao meu pequeno e curioso ser.
Eu, que tinha feito uma matéria sobre o passado de Dilma no cárcere na ÉPOCA, certamente iria encontrar uma maneira de contar ao meu filho o que aconteceu nos porões da ditadura. A foto ao lado consegui nos arquivos do Dops e foi reeditada pelos editores de arte numa imagem que ficou famosa na campanha. As mulheres que entrevistei, abriram seus arquivos humanos, falaram de sentimentos que, na maior parte dos casos, ficaram por muito tempo adormecidos. Algumas até tinham resistido em me contar o que se passou com elas e acabaram me confiando suas histórias. Como falar de tudo isso de uma maneira bem simples à uma criança de quatro anos?
Resolvi explicar que no Brasil, durante muitos anos, as pessoas não podiam dizer o que pensavam, não podiam fazer o que queriam e tinham que seguir o que os governantes mandavam fazer. Disse também que elas não podiam votar e escolher o governo – foi meu filho, feliz da vida, que apertou o número na minha urna eletrônica. Contei a ele que muitos brasileiros eram presos se participassem de uma manifestação (por incrível que pareça, ele já sabe o que é isso). Depois disse que muitos apanharam na prisão e que a Dilma tinha apanhado muito. Como até hoje se desconhecem as ações exatas de Dilma Rousseff na guerrilha, me limitei a essa explicação. 
Nesse momento, ele me disse com ar reflexivo:
- Ninguém pode bater em ninguém, né mamãe?
- Não, meu filho ninguém pode bater em ninguém, principalmente por você pensar diferente de uma outra pessoa.
Fim de diálogo. Meu filho ficou pensativo. Eu também. Acredito que a liberdade seja uma das maiores conquistas da vida. Se não for a maior. Não importa a orientação política, o credo, a religião. Pensei em tantos presos políticos. Em tantos mortos por conta das diferenças religiosas. Pensei nos meus amigos que foram torturados, nos que foram exilados. Pensei nos anos 80, quando meus pais hospedaram em casa uma checa, linda, que teve que fugir de seu país. Pensei na minha cobertura das primeiras eleições multiraciais na África do Sul, em abril de 1994. Aquele clima de euforia pela liberdade do maior respeitado preso político do mundo, Nelson Mandela. Lembro-me exatamente de que quase todos , inclusive os cinco mil jornalistas, não conseguiram conter as lágrimas ao ver Mandela cantar em xhosa, com os braços erguidos no estádio em Soweto, durante seu último comício como candidato do CNA, dias antes da votação.

Desde cedo, tento ensinar ao meus filhos o valor da liberdade.  Talvez por isso, uma das minhas histórias infantis preferidas seja o Rouxinol e o Imperador ( da China) de Hans Christian Andersen. Sempre conto essa fábula antes de eles dormirem. E eles adoram.


2 comentários:

  1. Parabéns pelo artigo.
    E que bonitinho o seu filho, desde pequeno já tem consciência do valor da liberdade e do respeito às pessoas.
    abraços

    ResponderExcluir
  2. Olá Liliane,obrigada pela presença!O filho do texto não é meu ,é da autora,a Kátia....Bjs no coração.

    ResponderExcluir

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