Clamor social: o clímax e a indiferença dos
governantes

Divaldo
Franco
Quando as
injustiças sociais atingem o clímax e a indiferença dos governantes pelo povo
que estorcega nas amarras das necessidades diárias, sob o açodar dos conflitos
íntimos e do sofrimento que se generaliza, nas culturas democráticas, as massas
correm às ruas e às praças das cidades para apresentar o seu clamor, para
exigir respeito, para que sejam cumpridas as promessas eleitoreiras que lhe
foram feitas...
Já não é
mais possível amordaçar as pessoas, oprimindo-as e ameaçando-as com os
instrumentos da agressividade policial e da indiferença pelas suas dores.
O ser
humano da atualidade encontra-se inquieto em toda parte, recorrendo ao direito
de ser respeitado e de ter ensejo de viver com o mínimo de dignidade.
Não há
mais lugar na cultura moderna, para o absurdo de governos arbitrários, nem da
aplicação dos recursos que são arrancados do povo para extravagâncias
disfarçadas de necessárias, enquanto a educação, a saúde, o trabalho são escassos
ou colocados em plano inferior.
A
utilização de estatísticas falsas, adaptadas aos interesses dos
administradores, não consegue aplacar a fome, iluminar a ignorância, auxiliar
na libertação das doenças, ampliar o leque de trabalho digno em vez do assistencialismo
que mascara os sofrimentos e abre espaço para o clamor que hoje explode no País
e em diversas cidades do mundo.
É
lamentável, porém, que pessoas inescrupulosas, arruaceiras, que vivem a soldo
da anarquia e do desrespeito, aproveitem-se desses nobres movimentos e os
transformem em festival de destruição.
Que, para
esses inconsequentes, sejam aplicadas as corrigendas previstas pelas leis, mas
que se preservem os direitos do cidadão para reclamar justiça e apoio nas suas
reivindicações.
O povo,
quando clama em sofrimento, não silencia sua voz, senão quando atendidas as
suas justas reivindicações. Nesse sentido, cabe aos jovens, os cidadãos do
futuro, a iniciativa de invectivar contra as infames condutas... porém, em
ordem e em paz.
* Divaldo
Franco escreve às quintas-feiras, quinzenalmente no Jornal A Tarde da
Bahia em 20-06-2013.