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Conversa com Deus
ZILMA SANTIAGO


            Deus você é meu amigo? Pois é o que quero só se pede ao melhor amigo. Quero ter o direito de ser criança por muito tempo.  Quero ter o direito de brincar, plantar e colher, principalmente muitos amiguinhos e amiguinhas, daqueles que a gente não esquece nunca mais. Daqueles que a gente fica feliz em reencontrar.
            Quero permissão para sonhar, criar, brincar e se possível ter esperanças.  É muito triste, enrijece a alma, endurece os sentimentos melhores, quando se pula etapas na vida; quando, ainda criança e se inicia vida de adulto.  Trabalhando muito. Não se recupera as horas passadas.
            Quero ter o direito de ser adolescente, com todos os seus problemas, com todas as suas alegrias, como nas histórias em quadrinhos, histórias que só as li adulta.
            Quero ser menina de novo.  Ter uma caixinha cheia de ninharias, botõezinhos, pulseirinhas, brinquinhos, um cantinho para guardar as cartinhas de amor, enfim, uma “caixinha adolescente”, com todos os seus segredinhos e sonhos com formas e cores.
            Quero ter o direito de ir no cinema, nas matinês, nos saraus...de passear na praça, abraçar amiguinhos e amiguinhas.
            Quero viver minha adolescência, adolescente, adolescendo.  Que saudade, que frustração...lembranças de momentos não vividos, é isso que sinto...
            Na minha próxima existência, se é que há, quero experimentar o gostinho de ser criança, de viver a vida de criança...
            Não quero emprego aos 12 anos de idade.  Embrutece o espírito e aumenta a desesperança e o cansaço.
            Se puder quero também alguém que me ame e que me conte histórias para eu dormir e não me faça medo para eu adormecer ou me aquietar.
            Quero ter o direito de acreditar e esperar o Papai Noel trazendo meu presente na noite de Natal e realizando um sonho de criança.
            Quero pai e mãe que não batam, não agridam, mas eduque-me pra ver se assim apanho menos da vida, dos estranhos.
            Em criança quero aprender a cultivar o que há de bom nas pessoas, acreditar que é possível ser bom desinteressadamente, ser bom por ser bom.
            Deus desculpa o desabafo, precisava tirar isso da garganta.  É em você que guardo minhas esperanças.




Zilmma, 2013

Da gente que eu gosto

Republicando,porque é de gente com o esta que eu gosto mesmo!!!!
Homenageando o amigo,ANTONIO CAMPOS, que está fora HÁ UM ANO e nos aguarda para o reencontro...ATÉ QUALQUER DIA MEU AMIGO!!!!VAI POETANDO POR AÍ!!!!


DA GENTE QUE EU GOSTO

Sendo divulgada como do Mário Benedetti, MAS AINDA EM BUSCA DA AUTORIA CORRETA...

 Eu gosto de gente que vibra, que não tem de ser empurrada, que não tem de dizer que faça as coisas, mas que sabe o que tem que fazer e que faz. A gente que cultiva seus sonhos até que esses sonhos se apoderam de sua própria realidade. Eu gosto de gente com capacidade para assumir as consequências de suas ações, de gente que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, abandona os conselhos sensatos deixando as soluções nas mãos de Deus. Eu gosto de gente que é justa com sua gente e consigo mesma, da gente que agradece o novo dia, as coisas boas que existem em sua vida, que vive cada hora com bom ânimo dando o melhor de si, agradecido de estar vivo, de poder distribuir sorrisos, de oferecer suas mãos e ajudar generosamente sem esperar nada em troca. Eu gosto da gente capaz de me criticar construtivamente e de frente, mas sem me lastimar ou me ferir. Da gente que tem tato. Gosto da gente que possui sentido de justiça. A estes chamo de meus amigos. Eu gosto da gente que sabe a importância da alegria e a pratica. Da gente que por meio de piadas nos ensina a conceber a vida com humor. Da gente que nunca deixa de ser animada. Eu gosto de gente sincera e franca, capaz de se opor com argumentos razoáveis a qualquer decisão. Gosto de gente fiel e persistente, que no descansa quando se trata de alcançar objetivos e ideias. Eu gosto da gente de critério, a que não se envergonha em reconhecer que se equivocou ou que não sabe algo. De gente que, ao aceitar seus erros, se esforça genuinamente por não voltar a cometê-los. De gente que luta contra adversidades. Gosto de gente que busca soluções. Eu gosto da gente que pensa e medita internamente. De gente que valoriza seus semelhantes, não por um estereotipo social, nem como se apresentam. De gente que não julga, nem deixa que outros julguem. Gosta de gente que tem personalidade. Eu gosto da gente que é capaz de entender que o maior erro do ser humano é tentar arrancar da cabeça aquilo que não sai do coração. A sensibilidade, a coragem, a solidariedade, a bondade, o respeito, a tranquilidade, os valores, a alegria, a humildade, a fé, a felicidade, o tato, a confiança, a esperança, o agradecimento, a sabedoria, os sonhos, o arrependimento, e o amor para com os demais e consigo próprio são coisas fundamentais para se chamar GENTE. Com gente como essa me comprometo, para o que seja, pelo resto de minha vida... já que, por tê-los junto de mim, me dou por bem retribuído. Impossível ganhar sem saber perder. Impossível andar sem saber cair. Impossível acertar sem saber errar. Impossível viver sem saber reviver. A glória não consiste em não cair nunca, mas em levantar-se todas as vezes que seja necessário. E ISSO É ALGO QUE MUITO POUCA GENTE TEM O PRIVILEGIO DE PODER EXPERIMENTAR. Bem aventurados aqueles que já conseguiram receber com a mesma naturalidade o ganhar e o perder, o acerto e o erro, o triunfo e a derrota...

 Publicada por Em Leça do Balio e por Leça do Balio em 13:16:00

A PÁSCOA DE JESUS


A Páscoa de Jesus

A morte de Jesus pode ser vista e interpretada de diversas maneiras. Na ortodoxia do cristianismo tradicional, é artigo de fé de que Jesus morreu para selar com o sangue a salvação da humanidade. Na teologia estabelecida por Paulo de Tarso, o homem pecou com Adão e redimiu-se com o Cristo. Não procuremos entender a racionalidade dessa doutrina: por um, todos caem; por um, todos se salvam… parece injusto e desproporcional. Carregamos todos o pecado de Adão e podemos ser salvos se acreditarmos em Cristo. Mas os artigos de fé das religiões em geral não pretendem ser racionais; aliás, a obscuridade e o mistério é que constituem o seu atrativo.
Para uma visão mais politizada, podemos dizer que Jesus foi um subversivo, pois era um crítico do clero judaico e alguém que emancipava consciências e por isso, como em todas as épocas e em todas culturas, não agradou a nenhum representante do poder. Judeus e romanos; Kaifás, Herodes e Pilatos se deram as mãos (ou lavaram-nas), para entregar Jesus à morte.
Numa perspectiva espírita, Jesus, que não é Deus, mas um Espírito que já alcançou um status de perfeição ainda distante de nós, sua morte representa o testemunho de um mártir, que nos deixou um modo de ser e estar no mundo – um modo amoroso, não-violento, cheio de compaixão e bondade. E coerente até o fim com essa ética, entregou-se à injustiça dos homens, para neles despertar o senso de justiça; aceitou a morte violenta, para demonstrar a não-violência e o perdão. É aquele que toma sobre si amorosamente o ônus da ignorância humana, para mostrar-nos um caminho melhor. Nesse sentido, simbolicamente, pode-se até concordar que ele é o Cordeiro de Deus, que toma sobre si os pecados do mundo. Não num sentido salvacionista, mas numa dimensão pedagógica, para ensinar como mestre, algumas lições tão inesquecíveis, que só poderiam ser seladas com o sacrifício de si e com a morte.
A morte de Jesus também é uma mensagem sobre a própria morte. Em todos os tempos, a finitude do homem o tem assustado. Por causa do medo da morte, criam-se as dominações religiosas; por sentir-se mortal, o ser humano se fragiliza, muitas vezes infantilizando-se diante de deuses opressores, de sacerdócios que lhe exploram o boa-fé ou aliena-se em doutrinas fanáticas e irracionais. Mais uma vez, lembrando Paulo, Jesus venceu a morte – não no sentido que os cristãos tradicionais entendem (como uma derrogação da lei natural, ressurgindo em corpo carnal) – mas no sentido de demonstrar praticamente que a morte é uma passagem natural, um atravessar simples e rápido para uma outra dimensão da existência e que não há nada a temer – muito menos devemos temer o nada! A naturalidade com que Jesus aparece para conversar com Madalena, com os apóstolos, com os viajantes de Emaús – é um testemunho histórico de que morto o corpo, o Espírito sopra onde quer e se manifesta com seu corpo espiritual, fazendo-se ver e tocar, deixando uma mensagem de eternidade.
Depois da tragédia da cruz, os açoites, o abandono dos mais queridos – que serviu para que o Mestre demonstrasse a força do perdão, da compaixão e da coragem – Jesus aparece aqui e ali e mostra-se imortal, inteiro, luminoso.
Essas são as minhas meditações de Páscoa, com os votos de que possamos meditar no exemplo ético de Jesus, seu amor universal, dirigido a toda a humanidade e a mensagem que nos deixou para sempre: a morte não existe, mas em toda parte há vida eterna, amor em abundância e misericórdia sem limites!
 

A morte de Jesus pode ser vista e interpretada de diversas maneiras. Na ortodoxia do cristianismo tradicional, é artigo de fé de que Jesus morreu para selar com o sangue a salvação da humanidade. Na teologia estabelecida por Paulo de Tarso, o homem pecou com Adão e redimiu-se com o Cristo. Não procuremos entender a racionalidade dessa doutrina: por um, todos caem; por um, todos se salvam… parece injusto e desproporcional. Carregamos todos o pecado de Adão e podemos ser salvos se acreditarmos em Cristo. Mas os artigos de fé das religiões em geral não pretendem ser racionais; aliás, a obscuridade e o mistério é que constituem o seu atrativo.

Para uma visão mais politizada, podemos dizer que Jesus foi um subversivo, pois era um crítico do clero judaico e alguém que emancipava consciências e por isso, como em todas as épocas e em todas culturas, não agradou a nenhum representante do poder. Judeus e romanos; Kaifás, Herodes e Pilatos se deram as mãos (ou lavaram-nas), para entregar Jesus à morte.

Numa perspectiva espírita, Jesus, que não é Deus, mas um Espírito que já alcançou um status de perfeição ainda distante de nós, sua morte representa o testemunho de um mártir, que nos deixou um modo de ser e estar no mundo – um modo amoroso, não-violento, cheio de compaixão e bondade. E coerente até o fim com essa ética, entregou-se à injustiça dos homens, para neles despertar o senso de justiça; aceitou a morte violenta, para demonstrar a não-violência e o perdão. É aquele que toma sobre si amorosamente o ônus da ignorância humana, para mostrar-nos um caminho melhor. Nesse sentido, simbolicamente, pode-se até concordar que ele é o Cordeiro de Deus, que toma sobre si os pecados do mundo. Não num sentido salvacionista, mas numa dimensão pedagógica, para ensinar como mestre, algumas lições tão inesquecíveis, que só poderiam ser seladas com o sacrifício de si e com a morte.

A morte de Jesus também é uma mensagem sobre a própria morte. Em todos os tempos, a finitude do homem o tem assustado. Por causa do medo da morte, criam-se as dominações religiosas; por sentir-se mortal, o ser humano se fragiliza, muitas vezes infantilizando-se diante de deuses opressores, de sacerdócios que lhe exploram o boa-fé ou aliena-se em doutrinas fanáticas e irracionais. Mais uma vez, lembrando Paulo, Jesus venceu a morte – não no sentido que os cristãos tradicionais entendem (como uma derrogação da lei natural, ressurgindo em corpo carnal) – mas no sentido de demonstrar praticamente que a morte é uma passagem natural, um atravessar simples e rápido para uma outra dimensão da existência e que não há nada a temer – muito menos devemos temer o nada! A naturalidade com que Jesus aparece para conversar com Madalena, com os apóstolos, com os viajantes de Emaús – é um testemunho histórico de que morto o corpo, o Espírito sopra onde quer e se manifesta com seu corpo espiritual, fazendo-se ver e tocar, deixando uma mensagem de eternidade.

Depois da tragédia da cruz, os açoites, o abandono dos mais queridos – que serviu para que o Mestre demonstrasse a força do perdão, da compaixão e da coragem – Jesus aparece aqui e ali e mostra-se imortal, inteiro, luminoso.

Essas são as minhas meditações de Páscoa, com os votos de que possamos meditar no exemplo ético de Jesus, seu amor universal, dirigido a toda a humanidade e a mensagem que nos deixou para sempre: a morte não existe, mas em toda parte há vida eterna, amor em abundância e misericórdia sem limites!

 

A ânsia de viver os limites


A ânsia de viver os limites

O que será ânsia de viver?
Será talvez impulso ou força vital? Se for, este é o impulso de toda Criação. Como a semente que brota no concreto ou no penhasco. Como qualquer manifestação de vida.
Sem a ânsia de viver, acho que o ser humano ou qualquer outro organismo não vive, não cresce.
E os limites? Se olharmos no dicionário, veremos: Limite, fronteira, baliza, raia, linha de demarcação, extremo, meta, etc.
Vamos olhar um pouco estes conceitos. Fronteira é o que dá forma a um país. Baliza ou raia é o espaço por onde o atleta deve correr, nadar sem invadir o espaço dos outros.
Faz parte da natureza do homem este impulso que poderemos chamar de ânsia de viver. Antes até de nascer, na concepção, o ser humano é dotado deste impulso. Nós todos, embora não seja politicamente correto, somos os vitoriosos da corrida dos espermatozóides. E desde, então, lutamos pela nossa vida!
E, desde então, nos deparamos com os limites. Primeiro os físicos, que são espaciais e temporais. Depois de nascidos, acrescentam-se os limites sociais.
Imaginemos uma pessoa que passou direto do estágio de recém nascido para o de adulto, sem sofrer a ação dos limites sociais: seria um tirano terrivelmente egoísta. É a imposição de limites que torna possível a convivência.
Foi pela aceitação destes limites que o homem conseguiu ser dominador da Terra.
Eu comparo a ânsia de viver com um perfume. O mais precioso de todos. Mas, para que este perfume não se perca, não se evapore, ele precisa de um frasco que o guarde.
Talvez, aí entra o paradoxo. O frasco (limite) deve contê-lo, mas não confiná-lo. Não tem nenhuma utilidade o perfume que não podemos usar. O frasco deve permitir que o perfume seja aberto, para ser usado e encantar.
O pai de todas as religiões monoteístas ocidentais, Abraão, foi o maior rompedor de limites da história. Ao refazer os pactos com Deus, ele estabeleceu novos limites para os homens.
Então, vejo que os limites existem para ser transpostos.
Como nós fazemos quando vamos ao estrangeiro.
Como? Com muita preparação, com malas feitas.
Quando os limites são transpostos assim, o impulso vital nos leva a novas realizações. Arrisco até a dizer que a cada nova realização, a Humanidade cresce com ela.
Por outro lado, quando os limites são rompidos por romper, sem critério, a sociedade e os indivíduos perdem muito, pois estacionam no impulso de viver.

Jackson Raul Fullen
Colaboração de Vera Gelas, coordenadora de Amor Exigente de Marília

VISÃO ESPÍRITA DA PÁSCOA


Visão espírita da páscoa
Marcelo Henrique Pereira (*)
 

Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.

Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus?

Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.

O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso.

Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.

A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.

Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia.

Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.

Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado neste último filme hollyodiano (A Paixão de Cristo, segundo Mel Gibson) –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.

No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo, separá justos e ímpios.

A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.

Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa?

A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.

A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra.

Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoatradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última lição – de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.

Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe. Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.

Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que o imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”.

Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.

(*) Marcelo Henrique Pereira, Mestre em Ciência Jurídica, Presidente da Associação de Divulgadores do Espiritismo de Santa Catarina e Delegado da Confederação Espírita Pan-Americana para a Grande Florianópolis (SC)
http://www.abrade.com.br/pascoa.html

SUCESSO OU FRACASSO?


SUCESSO OU FRACASSO?
Todos nós almejamos sermos bem sucedidos na vida, mas o modelo padrão de sucesso que a sociedade apresenta está fora da realidade para a maioria, e neste parâmetro muitos se sentem pequenos, vazios, indignos e fracassados!

Mas afinal, fracassados em quê?

Em não ser o outro?

Em não conseguir
ser ou ter tudo o que representa o êxito materialista e consumista?

Que parâmetro injusto é este que concordamos em impor a nós mesmos em detrimento dos nossos próprios anseios e conquistas sem levar em conta a nossa realidade, singularidade e consequentemente o que realmente nos importa?

Muitos passam boa parte da vida trilhando uma estrada que se ajuste a esta visão de êxito para depois descobrirem que aquele não era seu caminho, e assim se vêem perseguindo objetivos que não lhes dizem respeito, freqüentando lugares que na verdade não apreciam, convivendo com pessoas que nem mesmo suportam em meio a um mundo do qual não pertencem, vivendo de aparências num círculo compulsivo de acúmulo e desperdício que só traz vazio e miséria e não consegue preencher a necessidade afetiva e espiritual.

Somos diferentes e é justamente esta diferença que nos faz extraordinários!

Como aceitar que o meio ou um produto nos imprima um valor nos tornando massificados e comuns?!

Nesta sociedade materialista, em meio ao bombardeio de conteúdos hipócritas relacionados ao sucesso e fracasso podemos observar até mesmo crianças e adolescentes psicologicamente já adultos no ato do consumismo e preocupados em se ajustarem aos conceitos pré-estabelecidos desta para se sentirem admirados e aceitos, cabe aqui refletir sobre o quanto estamos contribuindo para que isto se fixe como verdade no exemplo que damos à eles, pois estamos sempre sendo observados e podemos estar contribuindo para perpetuar o estigma do vazio na busca de um sucesso que nunca satisfaz.

Temos que incentivar a criatividade e o seu exercício para que o talento verdadeiro de cada um seja exaltado e dele advenha a visão singular e real do êxito e o genuíno sentimento de completude e bem estar!

O sucesso não é ser o melhor ou ter as melhores coisas e sim aprender a sonhar o nosso próprio sonho, até mesmo porque o que representa sucesso para um pode representar o fracasso para outro!

Temos que ser responsáveis ao determinar o que é sucesso dentro do que realmente faz sentido para nós, conseguindo assim o nosso melhor sem tentarmos ser sempre o melhor de todos em estressante competição movidos pela cobiça, ciúmes e arrogância!

Ao invés de ficarmos reclamando ou com inveja do sucesso do outro, porque não nos empenharmos para também crescer, procurando nos aperfeiçoar?! Quando o comodismo fala mais alto, fica mais fácil pensar na "sorte" do outro, mas até mesmo esta se mantém quando a oportunidade encontra a habilidade, a competência e o esforço.

Não é fácil lidar com nossos limites e falhas aceitando que nem sempre conseguimos tudo o que queremos, e algumas vezes por puro demérito! E mesmo nos esforçando, infelizmente nem sempre seremos reconhecidos ou premiados, mas é preciso permanecer na ousadia de tentar, na disciplina e na determinação de vencer sem subestimar nosso valor!

Sucesso e fracasso podem também a ser a face da mesma moeda, por isto o sucesso deve ser medido no que se está disposto a sacrificar e se realmente vale a pena, nos perguntado sempre
pra que, porque e pra quem.

Podemos desfrutar de nossas conquistas sem fazer destas o nosso alicerce, pois materialismo, modismo, poder e status nada significam se perdermos nosso equilíbrio interior.

O autêntico sucesso não está no prazer fugaz de uma conquista mas na construção do dia a dia, na razão que nos move e em como nos sentimos.

Até mesmo a dor e os obstáculos podem se transformar em êxito quando conseguimos tirar destas uma lição. Às vezes só enxergamos o essencial quando passamos por situações difíceis e percebemos que as coisas mais importantes na nossa vida nada custam.

Somos o resultado de nossas escolhas e a cada experiência vamos criando um melhor entendimento que nos ajuda a valorizar preciosos ensinamentos que nos levam a maturidade, ao resgate da nossa essência e a verdadeira compreensão do significado do êxito.

O importante é tentar conseguir o nosso melhor naquilo que nos propomos a fazer na família, no trabalho ou onde quer que seja, sem ficar nos comparando, criticando ou estabelecendo objetivos inalcançáveis, sempre procurando motivos para nos sentir um fracasso!

O fracasso pode nos paralisar ou ser a oportunidade de um recomeço, portanto não podemos desperdiçar oportunidades inclusive com a usual desculpa de que é tarde demais, pois a vida acontece neste curto espaço que chamamos de "agora" e sempre é tempo de recomeçar!

Apesar de pequenos diante do universo, Deus nos fez fortes o suficiente para lutar, vencer e suportar derrotas inevitáveis que fazem parte de nossa aprendizagem e crescimento e que são também valorosas tentativas que utilizamos para nos aventurar ao sucesso!

O importante é lutar sempre, permanecendo na tranqüilidade de quem cumpre sua verdadeira e nobre missão, contribuindo para que a vida que se encontra em constante processo de transformação e renovação seja sempre gloriosa em sua genial essência de magnífica simplicidade!

"Procure ser uma pessoa de valor, em vez de procurar ser uma pessoa de sucesso. O sucesso é consequência." Albert Einstein

"Lutar é preciso, vencer nem sempre é possível, é na tentativa que se encontra o êxito." Silvana L. Anaya

"Os homens alcançam sucesso quando eles percebem que seus fracassos são uma preparação para suas vitórias" Ralph W. Emerson

Silvana Lance Anaya
Psicanalista

AZUL

AZUL

PERNAMBUCO

PERNAMBUCO
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