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VOTAR


Votar (Rachel de Queiroz)
O texto abaixo, intitulado "Votar", de autoria da escritora Raquel de Queiroz, foi publicado na revista "O Cruzeiro", no ano de 1947, com o objetivo de alertar os eleitores de então, quanto a importância do voto. É impressionante como, mais de 60 anos após a publicação, o conteúdo permaneça absolutamente atual, mostrando que, apesar de muita conversa mole, nada mudou no Brasil, nem mesmo a infeliz prática da compra de votos.(está com a grafia da época)

VOTAR

Não sei se vocês têm meditado como devem no funcionamento do complexo maquinismo político que se chama govêrno democrático, ou govêrno do povo. Em política a gente se desabitua de tomar as palavras no seu sentido imediato.

No entanto, talvez não exista, mais do que esta, expressão nenhuma nas línguas vivas que deva ser tomada no seu sentido mais literal: govêrno do povo. Porque, numa democracia, o ato de votar representa o ato de FAZER O GOVÊRNO.

Pelo voto não se serve a um amigo, não se combate um inimigo, não se presta ato de obediência a um chefe, não se satisfaz uma simpatia. Pelo voto a gente escolhe, de maneira definitiva e irrecorrível, o indivíduo ou grupo de indivíduos que nos vão governar por determinado prazo de tempo.

Escolhem-se pelo voto aquêles que vão modificar as leis velhas e fazer leis novas - e quão profundamente nos interessa essa manufatura de leis! A lei nos pode dar e nos pode tirar tudo, até o ar que se respira e a luz que nos alumia, até os sete palmos de terra da derradeira moradia.

Escolhemos igualmente pelo voto aquêles que nos vão cobrar impostos e, pior ainda, aquêles que irão estipular a quantidade dêsses impostos. Vejam como é grave a escolha dêsses "cobradores". Uma vez lá em cima podem nos arrastar à penúria, nos chupar a última gôta de sangue do corpo, nos arrancar o último vintém do bôlso.

E, por falar em dinheiro, pelo voto escolhem-se não só aquêles que vão receber, guardar e gerir a fazenda pública, mas também se escolhem aquêles que vão "fabricar" o dinheiro. Esta é uma das missões mais delicadas que os votantes confiam aos seus escolhidos.

Pois, se a função emissora cai em mãos desonestas, é o mesmo que ficar o país entregue a uma quadrilha de falsários. Êles desandam a emitir sem conta nem limite, o dinheiro se multiplica tanto que vira papel sujo, e o que ontem valia mil, hoje não vale mais zero.

Não preciso explicar muito êste capítulo, já que nós ainda nadamos em plena inflação e sabemos à custa da nossa fome o que é ter moedeiros falsos no poder.

Escolhem-se nas eleições aquêles que têm direito de demitir e nomear funcionários, e presidir a existência de todo o organismo burocrático. E, circunstância mais grave e digna de todo o interêsse: dá-se aos representantes do povo que exercem o poder executivo o comando de tôdas as fôrças armadas: o exército, a marinha, a aviação, as polícias.

E assim, amigos, quando vocês forem levianamente levar um voto para o Sr. Fulaninho que lhes fêz um favor, ou para o Sr. Sicrano que tem tanta vontade de ser governador, coitadinho, ou para Beltrano que é tão amável, parou o automóvel, lhes deu uma carona e depois solicitou o seu sufrágio - lembrem-se de que não vão proporcionar a êsses sujeitos um simples emprêgo bem remunerado.

Vão lhes entregar um poder enorme e temeroso, vão fazê-los reis; vão lhes dar soldados para êles comandarem - e soldados são homens cuja principal virtude é a cega obediência às ordens dos chefes que lhe dá o povo. Votando, fazemos dos votados nossos representantes legítimos, passando-lhes procuração para agirem em nosso lugar, como se nós próprios fôssem.
 

Entregamos a êsses homens tanques, metralhadoras, canhões, granadas, aviões, submarinos, navios de guerra - e a flor da nossa mocidade, a êles prêsa por um juramento de fidelidade. E tudo isso pode se virar contra nós e nos destruir, como o monstro Frankenstein se virou contra o seu amo e criador.

Votem, irmãos, votem. Mas pensem bem antes. Votar não é assunto indiferente, é questão pessoal, e quanto! Escolham com calma, pesem e meçam os candidatos, com muito mais paciência e desconfiança do que se estivessem escolhendo uma noiva.

Porque, afinal, a mulher quando é ruim, dá-se uma surra, devolve-se ao pai, pede-se desquite. E o govêrno, quando é ruim, êle é que nos dá a surra, êle é que nos põe na rua, tira o último pedaço de pão da bôca dos nossos filhos e nos faz aprodecer na cadeia. E quando a gente não se conforma, nos intitula de revoltoso e dá cabo de nós a ferro e fogo.

E agora um conselho final, que pode parecer um mau conselho, mas no fundo é muito honesto. Meu amigo e leitor, se você estiver comprometido a votar com alguém, se sofrer pressão de algum poderoso para sufragar êste ou aquêle candidato, não se preocupe. Não se prenda infantilmente a uma promessa arrancada à sua pobreza, à sua dependência ou à sua timidez. Lembre-se de que o voto é secreto.

Se o obrigam a prometer, prometa. Se tem mêdo de dizer não, diga sim. O crime não é seu, mas de quem tenta violar a sua livre escolha. Se, do lado de fora da seção eleitoral, você depende e tem mêdo, não se esqueça de que DENTRO DA CABINE INDEVASSÁVEL VOCÊ É UM HOMEM LIVRE. Falte com a palavra dada à fôrça, e escute apenas a sua consciência. Palavras o vento leva, mas a consciência não muda nunca, acompanha a gente até o inferno".


ABORTO:QUESTÃO DE SAÚDE PÚBLICA

31/08/2009 - CORREIO BRAZILIENSE – DF

LENISE GARCIA
 

É recorrente o argumento de que é preciso encontrar solução para o aborto, porque se trata de uma questão de saúde pública. Colocado dessa forma, concordo plenamente.

Não penso, entretanto, que a solução possa estar na chamada descriminalizaçã o, pois isso só faria agravar o problema, como vem ocorrendo em outros países.

Diz o Ministério da Saúde que acontecem no Brasil entre 1 e 1,5 milhão de abortos por ano. Escapa-me como pode ser feita essa estatística, tratando-se de prática clandestina, mas tomemos a afirmativa como verdadeira. Uma prática que ceifa 1,5 milhão de vidas por ano é, certamente, grande problema de saúde pública. Nenhuma doença tem números tão altos. No Brasil e no mundo, o aborto é hoje a maior causa mortis. Não entra nas estatísticas, já que a criança não nascida não é registrada, não tem nome nem atestado de óbito, mas a falta de registro não muda o fato de que ela viveu - por maior ou menor tempo - e morreu, deixando uma história gravada na memória de seus pais e de outras pessoas. Essas existências truncadas trazem grande ônus social, ao qual pouca atenção se presta.

O aborto também traz grandes males, físicos e psíquicos, para a mulher que aborta. Permitam-me uma comparação um pouco chocante, mas ilustrativa. Dados os males provocados pelo fumo, em alguns lugares proíbe-se fumar. Há quem concorde e quem discorde, quem obedeça ou desobedeça. O pulmão do fumante, entretanto, não distingue entre o cigarro legal e o ilegal.

No caso do aborto, a legalização evitaria algumas complicações decorrentes das condições da prática clandestina.

Entretanto, os principais efeitos nocivos do aborto continuariam a ocorrer, como se pode demonstrar com os dados obtidos em países nos quais a prática não é considerada crime na legislação vigente.

Nesse caso não se trata de suposições e extrapolações, mas de estudos científicos publicados em revistas médicas.

Nos Estados Unidos, mulheres que se submeteram ao aborto provocado apresentam, em relação às que nunca fizeram um aborto: 250% mais necessidade de hospitalização psiquiátrica; 138% a mais de quadros depressivos; 60% a mais quadros de estresse pós-trauma; sete vezes mais tendências suicidas; 30 a 50% mais quadros de disfunção sexual.

Além disso, entre as mulheres que fizeram um aborto, 25% exigem acompanhamento psiquiátrico em longo prazo.

Em dezembro do ano passado o British Journal of Psichiatry publicou pesquisas realizadas na Nova Zelândia, que mostraram existir 30% mais problemas mentais em mulheres que fizeram aborto induzido.

O coordenador do trabalho, Dr. David Fergusson, admite que era favorável ao aborto por livre escolha, mas que estava repensando a sua posição em função dos resultados obtidos.

Outro dado preocupante é que a legalização acaba por aumentar significativamente o número de abortos. A Espanha traz-nos um exemplo expressivo.

Em 2008, o editorial do jornal El País comentou que há na Espanha "demasiados abortos". Entre 1997 e 2007, o número de abortos mais que dobrou. Entre 2006 e 2007, houve incremento de 10%. Além disso, uma em cada três mulheres que abortaram em 2007 já haviam abortado anteriormente, uma ou mais vezes. Isso demonstra a banalização da prática. El País comenta que o aborto é "percebido por muitos jovens como um método anticoncepcional de emergência, quando é uma intervenção agressiva que pode deixar sequelas físicas e psicológicas".

Sobre as sequelas psicológicas, já comentei acima. Sobre as físicas, há estudos que mostram maior risco de doenças circulatórias, doenças cérebrovasculares, complicações hepáticas e câncer de mama. A gravidez posterior também fica comprometida, com maior incidência de placenta prévia, parto prematuro, aborto espontâneo e esterilidade permanente.

A solução não está em facilitar o aborto, legalizando- o, mas, pelo contrário, em inibi-lo. Manter a legislação vigente, acabar com a impunidade das clínicas e da venda clandestina de abortivos e, principalmente, fazer um trabalho educativo de valorização da vida. É nesse contexto que se situa o projeto cultura, cidadania e vida, que aconteceu em Brasília de 27 a 30 deste mês, encerrando-se com a 3ª Marcha da Cidadania pela Vida. Uma marcha alegre, que se encerrou com show de Elba Ramalho, mostrando que a vida "é bonita, é bonita e é bonita

LENISE GARCIA: DOUTORA EM MICROBILOGIA, PROFESSORA DO DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA CELULAR DA UNB, PRESIDENTE DO MOVIMENTO NACIONAL DA CIDADE PELA VIDA.

A ânsia de viver os limites


A ânsia de viver os limites

O que será ânsia de viver?
Será talvez impulso ou força vital? Se for, este é o impulso de toda Criação. Como a semente que brota no concreto ou no penhasco. Como qualquer manifestação de vida.
Sem a ânsia de viver, acho que o ser humano ou qualquer outro organismo não vive, não cresce.
E os limites? Se olharmos no dicionário, veremos: Limite, fronteira, baliza, raia, linha de demarcação, extremo, meta, etc.
Vamos olhar um pouco estes conceitos. Fronteira é o que dá forma a um país. Baliza ou raia é o espaço por onde o atleta deve correr, nadar sem invadir o espaço dos outros.
Faz parte da natureza do homem este impulso que poderemos chamar de ânsia de viver. Antes até de nascer, na concepção, o ser humano é dotado deste impulso. Nós todos, embora não seja politicamente correto, somos os vitoriosos da corrida dos espermatozóides. E desde, então, lutamos pela nossa vida!
E, desde então, nos deparamos com os limites. Primeiro os físicos, que são espaciais e temporais. Depois de nascidos, acrescentam-se os limites sociais.
Imaginemos uma pessoa que passou direto do estágio de recém nascido para o de adulto, sem sofrer a ação dos limites sociais: seria um tirano terrivelmente egoísta. É a imposição de limites que torna possível a convivência.
Foi pela aceitação destes limites que o homem conseguiu ser dominador da Terra.
Eu comparo a ânsia de viver com um perfume. O mais precioso de todos. Mas, para que este perfume não se perca, não se evapore, ele precisa de um frasco que o guarde.
Talvez, aí entra o paradoxo. O frasco (limite) deve contê-lo, mas não confiná-lo. Não tem nenhuma utilidade o perfume que não podemos usar. O frasco deve permitir que o perfume seja aberto, para ser usado e encantar.
O pai de todas as religiões monoteístas ocidentais, Abraão, foi o maior rompedor de limites da história. Ao refazer os pactos com Deus, ele estabeleceu novos limites para os homens.
Então, vejo que os limites existem para ser transpostos.
Como nós fazemos quando vamos ao estrangeiro.
Como? Com muita preparação, com malas feitas.
Quando os limites são transpostos assim, o impulso vital nos leva a novas realizações. Arrisco até a dizer que a cada nova realização, a Humanidade cresce com ela.
Por outro lado, quando os limites são rompidos por romper, sem critério, a sociedade e os indivíduos perdem muito, pois estacionam no impulso de viver.

Jackson Raul Fullen
Colaboração de Vera Gelas, coordenadora de Amor Exigente de Marília

MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA


MAUS-TRATOS NA INFÂNCIA
Jorge Paulete Vanrell, MD

Ao menos em tese, pensar-se-ia na criança como um ser inserido no seu meio familiar do qual derivam, de forma natural e espontânea, todas as atenções afetivas e materiais que necessita para o seu normal desenvolvimento. Todavia, há ocasiões em que este mesmo núcleo familiar se torna hostil para com o menor, resultando no abandono, nos maus-tratos, nos abusos sexuais e, muitas vezes, até na morte.

Assim, os maus-tratos têm sido racionalizados, através dos tempos, pelas mais variadas justificativas conhecidas, desde práticas e crenças religiosas, motivos disciplinares e educacionais e, em grau mais amplo, com fins econômicos. As referências a abusos físicos extremos nos menores para conseguir retorno econômico dos seus ascendentes, não se podem considerar uma novidade. Foram freqüêntes durante a Revolução Industrial, mesmo em países tidos como mais desenvolvidos da época, como Grã Bretanha e Estados Unidos.

A mídia, em suas diversas formas, não raro registra, com vívidos detalhes, casos de crianças deixadas acorrentadas em cômodos escuros, diariamente, por semanas ou durante meses; crianças de pequena idade que são limitadas ao seu próprio berço por dias e dias; crianças que são dependuradas pelos seus punhos em canos de chuveiro ou suportes semelhantes; crianças que sofrem exposição prolongada a temperaturas extremas, e que incluem forçar os infantes a ficarem sentados, nus, sobre blocos de gelo; castigos térmicos diversos, indo desde a queimadura com brasa de cigarros, ou a obrigatoriedade de "secar as calças molhadas", sentando encima de uma estufa, ou mergulhando em água fervendo a mão esquerda que, obstinadamente, tenta segurar o lápis para escrever, no caso de uma criança canhota...

Já houve casos em que a morte se deu por inalação de pó de pimenta-do-reino e outra por pó de pimenta malagueta, ministradas por razões "disciplinares", sem contar com os casos, que não são poucos, de crianças falecidas por inanição, a espera de que mantidas sem comer, mudassem seus comportamentos...

Infelizmente, longe de se tratar de esporádicos registros históricos que apenas ocorrem em outros países, quase que a diário vemos as telas dos nossos lares invadidas por figuras de tenra idade - 4 a 6 anos -, labutando para obter pequenos ganhos, de centavos por dia, trabalhando, muitas vezes acorrentados- por grilhões materiais ou simplesmente morais -, ora nas pedreiras obtendo cascalho manualmente, ora nas plantações cortando, carregando e alimentando as moendas para extrair sisal, ora, nos fornos de carvão, ora nas calçadas elegantes da orla marítima, prestando-se ao "jogo" dos interesses maiores do turismo sexual, figuras amorfas formando uma fantasmagórica legião de esquecidos, de crianças sem hoje e sem amanhã.

Quantas Crianças Recebem Maus-tratos?

Estatísticas dos Estados Unidos, estimam que o número de crianças que eram encaminhadas para os serviços de proteção da infância, anualmente, oscilava entre 250.000 e 500.000, já em 1966. Esse número cresceu para 1.200.000 casos em 1986, duplicando para 2.400.000 atendimentos por ano, em 1996.

No Brasil, não temos estatísticas nacionais fidedignas, apenas registros esparsos de serviços isolados ou de núcleos de atendimento, que estão longe de espelhar a realidade atual no País, antes somente de micro-regiões.

O primeiro caso noticiado no Brasil, foi por Canger Rodrigues et al., em 1974, sendo logo seguido por três observações de Teixeira (1978, 1980), um dos pesquisadores que mais tem dado a devida atenção que este quadro merece, designando-o como 'SIBE -Síndrome do Bebê Espancado'.

Esta designação decorre de que a agressão mais freqüente é a mecânica, isto é, a tapas, socos, chutes, por vezes dentadas, terminando por jogar o bebê nochão, ou girá-lo pelo ar, preso pelos pés e, às vezes, escapando das mãos... batendo a cabeça na parede, em móveis etc. Todavia, outras vezes a agressão é térmica: os agentes queimam as crianças com água fervente ou com cigarros, quando não com a chapa do fogão...! Em alguns casos a agressão é sexual: os pais praticam atos sexuais com seus filhos; para outros a agressão é química, dando bebidas alcoólicas ou medicamentos para a criança dormir sem incomodar, e outros, enfim, negam alimentos e água, deixando a criança morrer de fome e de sede, não raro agredindo-a, também e paralelamente.

Trata-se, em geral, de um sério problema, de uma agressão inacreditável da mãe (ou do pai, madrasta, padrasto, companheiro) sobre a criança, o bebê, e, o que é pior, efetuada dentro da própria casa, assumindo, pela repetição, o aspecto de uma verdadeira tortura e transformando, desta maneira, o que deveria ser o lar, numa prisão, numa armadilha sem escapatória!

Resultado: o bebê não anda e não fala. E como conseqüência: 
a) não reage, nem se defende, por não possuir condiçãofísica suficiente; 
b) não escapa, já que não anda, nem corre e, 
c) não denuncia, uma vez que não fala.

Daí se afirmar que, para uma mãe ou para um pai malvados, para uma mãe ou para um pai que tenham perdido o mais elementar instinto de conservação da prole, o bebêé uma vítima "ideal": apanha freqüentemente, sem poder escapar ou denunciar seu agressor, o que torna ainda mais fácila repetição da agressão que, assim, permanece oculta. E isto não é apenas com os bebês, mas acontece de maneira semelhante com as crianças de baixa idade e mesmo em idade escolar.

Neste trabalho, analisa-se o comportamento agressivo contra as crianças na base geográfica da 8ª RegiãoAdministrativa do Estado de São Paulo, no ano de 1996, com fulcro nos dados obtidos no Setor de Perícias Médico-Legais de SãoJosé do Rio Preto e nos Serviços de Emergência, Pronto-Socorros e sucedâneos locais.

FAIXA ETÁRIA 


Faixa etária 0-6 7-12 13-18
Freqüência 60 25 15
A AUTORIA DOS MAUS TRATOS

Na nossa casuística, a autoria das agressões se distribui entre: 


mãe pai mãe+pai respons.
43 33 10 14 

PRINCIPAIS CAUSAS (%) 


Alcoolismo Desorganização 
Familiar Distúrbios 
Psiquiátricos Distúrbios 
de Comportamento
50 30 10 10
CLÍNICA DOS MAUS-TRATOS

Atitude da criança

O procedimento clínico mais simples - a observação, silenciosa e desarmada - geralmente é suficiente obter a maioriados subsídios necessários para, na suspeita de maus-tratos, estabelecer sua realidade e permitir sua caracterização. Dados como a desnutrição e o retardo pondero-estatural, de aparecimento freqüente, apontam para deficiências nutricionaise/ou hipoalimentação, bem como para privação afetiva.

Deve-se atentar para o fato, quando a criança,ao ser examinada pelo médico, tanto no ambulatório, quanto no domicílio, apática ou triste. Outras vezes, mostra-sereceosa ou francamente temerosa, protegendo o seu rosto com mãose antebraços ou fechando os olhos quando o médico se aproxima,como forma espontânea de defesa perante situações que imagina semelhantes àquelas em que lhe fora imposto um castigo ouem que tenha recebido um trauma.

O DIAGNÓSTICO DOS MAUS-TRATOS

Longe de ser uma tarefa específica de especialistas, realizar o diagnóstico da ocorrência de maus-tratos éuma tarefa/dever de qualquer pessoa, no exercício de sua cidadania.

Quando ter a suspeita

Talvez uma atitude esperada e uma capacidade centralizada de observação, sejam ferramentas suficientes para por mãosà obra. Nesta linha de raciocínio, deve-se suspeitar de tudo e de todos - uma verdadeira dúvida sistemática - mas, principalmente, das lesões esquisitas ou mal explicadas, mormente quando não se coadunem com as "explicações" dadas pelos familiares ou tutores para:

equimoses múltiplas, em várias regiões do corpo, com cores diferentes ("espectro equimótico"). 
equimoses com a forma de "marcas de dedos" nos braços e no tórax; 
hematoma orbitário ("olho roxo"); equimoses em locais pouco expostos; 
lesões atuais e/ou deformações cicatriciais nas orelhas ("orelha de boxeador" ou "orelha em couve-flor"); 
contusões na região frontal ou no queixo; 
laceraçõesde lábios (frênulo labial) e/ou arrancamento de peças dentárias ("dentes de leite"); ¨ marcas de mordidas,atribuídas a um "excesso de carinho"; 
queimaduras por cigarro; queimaduras por escaldamento; 
equimoses precisas, imprimindo o formato dos objetos que as produziram; 
lesões de órgãos genitais; fraturas de ossos longos com diferente cronologia de consolidação; 
referências hospitalares de traumatismo crânio-encefálico (TCE), ou de traumatismos abdominais com lesões graves de órgãos internos.

Quando redobrar a atenção

O observador deve desconfiar, quando da ocorrência dessas lesões esquisitas, notadamente naquelas situações em que:

Existam relatos diferentes dos responsáveis, interrogados isoladamente e sem comunicação entre eles, sobre a origem das lesões. 
Exista demora inexplicável dos responsáveis em procurar o atendimento médico cuja necessidade, na maioria das vezes, é evidente até para os olhos leigos, face à gravidade das lesões. Exista incongruência entre as explicações simplistas sobre a origem das lesões e a multiplicidade e/ou gravidade dos achados clínicos, traumáticos e radiográficos. 
Tenha havido procura por atendimento médico através de profissionais diversos ou hospitais diferentes, nos distintos e sucessivos episódios traumáticos (visando evitar o cruzamento das informações dos registros ou dos prontuários médicos). 
Seja apresentada uma criança ou bebê desnutrido e descuidado, configurando a Síndrome da Criança Negligenciada.

O QUE FAZER

Nesses casos, a conduta deve ser:

Levar a criança para o hospital (Pronto Atendimento, Emergência etc.). 
Radiografar o corpo inteiro. 
Efetuar uma junta entre os Médicos envolvidos (pediatra, ortopedista, radiologista e legista), psicólogo e assistente social. 
Internar (quando confirmado o diagnóstico de Sídrome do bebêespancado). 
Convocar ou comunicar a autoridade policial. 
Comunicar, se possível, a autoridade judicial ou o promotor público (Curador de Menores) principalmente em face do Estatuto da Criança e do Adolescente.

Autor: Jorge Paulete Vanrell, MD, DSc, LLB, BSE, médico legista, especialista em Medicina do Trabalho. Professor de Psicopatologia no Curso de Psicologia Clínica da FARFI, São José do Rio Preto (SP), Professor de Medicina Legal no Curso de Direito das FIRP, São José do Rio Preto (SP), Professor de Medicina Legal e de Criminologia da Academia de Polícia de São Paulo. Fellow, Department of Pathology, Dartmouth Medical School, NH, USA (1970). Pesquisador Convidado, Departamento de Genética da Universidade Nacional Autônoma do México (1971). 
Email: pericias.jpv@terra.com.br 

Da Informação à Sabedoria


[Ao mestre Marcimiano in memoriam]

Em um desses treinamentos de professores, patrocinados por uma instituição pública aqui de Curitiba, fui questionado por uma auxiliar de ensino em Educação Infantil, sobre um dos grandes temas que acompanha a humanidade desde a alvorada das civilizações:
Qual a principal diferença entre informação, conhecimento e sabedoria?
Isso me fez refletir sobre toda a minha prática, nesses últimos trinta anos que atuo como educador, seja à frente das novas gerações em sala de aula, no cotidiano da vida escolar, seja à frente de professores em treinamento, como o que eu vivia naquele momento.
Nessa avaliação à queima-roupa, não encontrei nada mais eloquente, para tentar traduzir essa diferenciação que uma vivência, nos meus tempos de recém-formado como engenheiro químico, que na sequência vou relatar. Deixo ao leitor, o direito de julgamento, se minha resposta foi satisfatória ou não.
O objetivo desse artigo, portanto, é convidá-lo, querido leitor à essa delicada reflexão.
Mas, vamos ao relato:
Naquele final de ano tirei férias com a família num sítio de um grande amigo. O meu contato ativo com a natureza foi cômico, para não dizer desastroso.
Nas cavalgadas eu tentava me esmerar, para não fazer feio, porém o cavalo simplesmente não me obedecia. Nunca vi animal mais teimoso. Quando eu relaxava as rédeas o animal me levava de volta para o rancho para ter com seu tratador de nome Marcimiano. Um senhorzinho, já avançado em anos, que mesmo sem nenhuma escolaridade era considerado e respeitado por todo efetivo do sítio.
- O que há de errado com esse animal, “seu” Marcimiano?
O simpático velhinho, simplesmente tirava a cela, o pelego, os arreios e repetia o processo de encilhar o cavalo. Coisa que eu já efetuara, repetidas vezes, em todos os detalhes.
O tratador, então me explicou, com muita didática:
- O senhor e o cavalo já não são os mesmos de ontem. Estão um dia mais velhos, um dia mais teimosos.
A informação me remeteu ao filósofo Heráclito:
“Um homem jamais se banha duas vezes nas mesmas águas do mesmo rio”.
Naquela noite, quando uma fogueira emitiu chispas contra o céu estrelado minha filha (que na época tinha quatro anos) me perguntou, encantada, que brilho fantástico era aquele.
Com a plateia de amigos ao redor da fogueira, aproveitei para fazer uma brincadeira:
- São os elétrons dos átomos de carbono e hidrogênio que retornam à camada L da eletrosfera e libertam luz visível, no espectro de 500 nanômetros.
Minha filha achava graça de minhas explicações técnicas.
O velho Marcimiano usou outra explicação:
- Veja, são estrelinhas que estão subindo aos céus.
Minha filha olhou para cima, para o magnífico espetáculo das estrelas e ainda mais encantada concluiu:
- Que lindo! Elas estão voltando para suas mamães!
De fato muitos átomos de hidrogênio escapam da gravidade terrestre e retornam ao espaço e em verdade os átomos mais pesados que o hidrogênio são “gerados” pelas estrelas – suas “mamães” – se usarmos essa analogia.
Mas era apenas informação e conhecimento que eles intuíam?
Naquela mesma noite, ao nos recolhermos, o velho Marcimiano com suas frases insólitas me convidou a outra reflexão:
- É muito bom ver fogueiras ao redor da fogueira.
O aquilo significava?
Ele me explicou com o mesmo didatismo de sempre:
- Todos nós somos fogueiras professor. O tempo sopra sobre cada um de nós até sobrar cinzas.
E antes de se retirar completou:
- Espero que a luz de sua candeia sirva para iluminar alguém.
Quando minhas férias terminaram, me despedi de todos do sítio, em especial do velho Marcimiano:
- Nunca consegui encilhar um cavalo como o senhor!
Ele me respondeu sorridente:
- Não se avexe professor! Todos nós somos mestres de nosso ofício!
Talvez o componente oculto no processo que brindava toda a sua maestria, fosse o afeto, com o qual ele tratava todos os seres vivos.
Por vezes, podemos ter a informação e até o conhecimento, mas a sabedoria de sua aplicação construtiva só é conquistada com o coração.
Pode parecer piegas, mas a cada dia eu me convenço que é aí que reside toda a diferença:
Enquanto a informação pode modificar o meu discurso e o conhecimento,  a minha conduta – só a sabedoria é capaz de modificar o meu caráter e, assim,  me transformar a cada dia num ser humano melhor!
E para concluir:
Como buscadores que somos;
- Que a luz de nossa candeia (minha e sua) – meu querido leitor – sirva todos dias para iluminar alguém!
Uma ótima semana a todos!

VAMOS FILHO?!


"Vamos, Filho?!"

Dia desses, fiquei encantado com uma cena que presenciei. Estavam próximos a mim um homem e sua noiva, uma jovem viúva, mãe de um menino que também estava com eles, e cujo pai já há alguns anos falecera. A certa altura, o homem referiu-se à criança chamando-a assim: “Vamos, filho?!”. E ele foi. Emocionei-me. Enquanto os três saíam do recinto com a naturalidade típica das famílias, um filme passava em minha mente. Lembrei-me daquele jovem que havia partido. Circunstâncias da vida privaram-lhe de se manter pai daquele pequeno garoto, na época ainda um bebê.
Naquele momento, na condição de testemunha silenciosa de uma cena que mal durou alguns segundos, enchi minha alma de gratidão a Deus pela adoção. Bendita seja a escolha que cabe a cada um de nós de sermos ou não bem-aventurados. De segurarmos as rédeas do nosso futuro e assumirmos a autoria da nossa própria felicidade. Agradeci. Agradeci e pensei em quão maravilhoso é perceber que é tão somente na convivência afetiva que construímos nossa parentalidade! 

“Vamos, filho?!”
Pensei em quão maravilhosa é a adoção. “Homem” e “criança” são conceitos absolutos: existem em si mesmos. “Pais” e “filhos” são conceitos relativos: um só existe por causa e a partir do outro. Ninguém pode ser pai ou mãe sem a existência de um filho ou filha e vice-versa.
Por isso, não é possível adotarmos crianças. Adotamos filhos. Porque é na adoção que pais e filhos se realizam, ou seja, passam a existir um por causa do outro. Como diz a médica e psicanalista francesa Francoise Dolto, “o ser humano, fisicamente, é um mamífero; e, psiquicamente, é um ser de filiação linguística e, portanto, de adoção”.
Lembrei-me de quantos arrastam por aí a frustração de uma paternidade ou maternidade não realizada por suporem que só pela gestação podem se tornar pais ou mães. Que tolice! Até quando acharão que a filiação se estabelece na herança genética? Quantos mais exemplos de desamor precisarão ainda testemunhar em meio aos laços da consanguinidade?
Não é possível adotarmos crianças. Adotamos filhos. Porque é na adoção que pais e filhos se realizam, ou seja, passam a existir um por causa do outro.
Há quem diga “Não posso ser mãe”, “Não posso ser pai”. Errado! Talvez não possa engravidar. Mas pode ser mãe ou pai, sim! Basta querer e ter disponibilidade para amar. Até porque se engravidar e não tiver amor, também não será mãe nem pai. Como já dissemos, a gestação é apenas um ponto de partida: nem imprescindível, nem suficiente. A filiação é a aceitação recíproca a um convite de profunda amorosidade.
“ Vamos, filho?! ” continuava a frase em minha mente. Que coisa tão simples e linda! No convite amoroso, o exemplo singelo do fazer-se pai. Na aquiescência espontânea do menino, o fazer-se filho. Convite aceito, adoção realizada. Simples assim.
Depois daquela cena, ao chegar em casa senti-me ainda mais feliz por estar com minha família, estabelecida totalmente através da adoção, desde a adoção que minha esposa e eu realizamos um com o outro.
Lembrei-me novamente do jovem pai que se fora tão cedo. No silêncio da minha emoção, desejei que ele estivesse em paz. E entendi que se eu estivesse em seu lugar, boa parte da paz que eu poderia ter certamente adviria do fato de meus filhos serem amados.
“Vamos, filho?! Vamos, pai!”

GUILHERME LIMA MOURA
é pai adotivo, integrante do Gead (Grupo de Estudos e Apoio à Adoção do Recife) e professor da UFPE

 
 

HÁ 5 ANOS,UMA HISTÓRIA REAL + "A PORTA"


Católico ,devoto de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, tanto ele quanto os pais e eu também enquanto fui católica. Dono de uma fé admirável, aquela que acredita na remoção das montanhas. Sempre disse que ELA protegeria sempre nossos filhos. Sempre manteve um quadro DELA em nosso quarto lhe olhando enquanto na cama. Se mudava a posição da cama, mudava também a DELA. Claro que ele sabia não ser a do quadro que dava proteção, mas o espírito superior ali representado. Casamo-nos em Arcoverde – PE. na Igreja DELA e a vida seguiu, e o quadro continua aqui como homenagem ao pai dos meus filhos, já na Pátria espiritual.
27 DE JUNHO, não sabíamos até ontem, a Igreja comemora o dia DELA!!!!!!!!!!
Nesta data diria minha sogra: ELA veio buscar seu devotado filho. Coincidência? – Não existe. Como analisar? Fiquem a vontade, cada qual com seu cada qual para pensar.

FICA EM PAZ TOINHO QUE CONTINUAMOS NA LUTA!!!! (ZILDA)

COM ARTHURZINHO


NO CASAMENTO DA PRINCESA

27 de Junho de 2007! Há 5 anos, dia do retorno. Dia de muita alegria no mundo espiritual pela volta a verdadeira pátria! Dever Cumprido. Dia de Festa pra Sr. Milton e Dona Lia pelo reencontro! Dia 27/06, fim da árdua tarefa da reencarnacão, fim da prova! Liberdade, leveza e Paz!! Para nós, pequenos e limitados, fica a saudade da voz, do cheiro e do contato corporal. Te amo Pai! Que estejas muito feliz e que nos ampare e inspire porque ainda estamos na selva, na guerra! (FÁBIO EDUARDO)

Abaixo uma crônica, como homenagem escrita por minha irmã Zilma Santiago logo depois do desencarne dele.


A PORTA

PASSEANDO DE LAMBRETA EM ARCOVERDE COM A ZILMA.

A PORTA

               Ontem aquela agenda bonita, com capa de couro, nome gravado, bem cuidada, sem borrões...
com anotações, lembretes, roteiros etc.  .  Ah caderninho danado, que querendo ou não, de forma
inesperada, como uma pessoa em carne e osso, dirigia minha movimentação  cotidiana:  dia tal, compras
no supermercado;  dia tal, pagar a fulano;  tantas horas ligar prá sicrano.   Que controle!!  E assim, em silêncio 
ia sendo comandada, prá cá, prá lá  e as vezes, mesmo na pressão, esquecia algo. Mas rapidamente
anotava de novo, em total dependência dessa "senhora" chamada agenda.
               Desde que me entendo por gente, D. Agenda manda em mim, silenciosamente "grita" - anota para
não esquecer! Torturante.  Ela não me deixa ser livre.  Quando a "escuto" saio obedientemente "doida"
procurando uma caneta, às vezes nem sei onde estão os óculos e sem eles a maluquice aumenta...mas uma
coisa irritante grita dentro de mim, "precisa anotar para não esquecer".   Num lampejo racional é como se
alguém dissesse,  - por que não posso esquecer?  Por que preciso anotar todos os meus afazeres e obrigações?
-  Obrigações?  Meu Deus, quem me obriga a isso ou aquilo?
                  Ah!  é o dever.    Que energia poderosa é essa que nos arrasta a fazer coisas as mais diversas. É
o danado do dever.   Muito curioso e as vezes muito chato.
                  Voltando a agenda.   Agora é tudo virtual.   Somos praticamente compelidos a agir, a agendar, comunicar
tudo virtualmente. Número de telefones, lembretes, hora de acordar... Mas esse é um novo tipo de dever que falaremos em outra ocasião.  
                   E assim anotei lá no celular:   Toinho- 88..... No item dos lembretes :  PORTA.     Foi nosso último  contato.  Você Toinho, ia me doar uma porta de madeira.  Não sei quanto tempo faz exatamente.  Você também, na ocasião se comprometeu a trazê-la.   Engraçado não é?    Esses registros estavam "vivíssimos" no meu  celular legitimando nosso último                    bate-papo.   Por quê?
                   E a porta a ser substituída continuava lá, horrível, esburacada, quase podre.  - Meu Deus por que não  mudo logo essa porta. Falava comigo mesma, de vez em quando.  

                   Só me restava apagar os registros do celular... Aquele registro sobre alguém que
não precisava mais de aparelho eletrônico para se comunicar.  Bem vivo na nossa memória,
tem agora formas mais evoluídas de se fazer presente.
                    E o registro, apago, não apago, para ser mais moderna, deleto ou não?
Claro que sim.  Há uma agenda, para esses casos de "longa ausência", infalível: a consciência emocional.
                     "Brigada" viu Toinho, ou Tota.  Já troquei a porta, há uma semana. Ainda precisa de alguns retoques, mas está muito melhor... Você pode constatar.
                      Não perco o hábito de tudo anotar, e aí vão, só para relembrar, alguns pontos
da nossa  conversa naquele dia.  
- Você ainda mora no mesmo lugar?  Perguntou-me
- Claro que sim.
- Ah, ia me esquecendo do mais importante... É você quem vai entrar com Vanessa na
   igreja no dia do casamento dela, aceita?
- Lógico, Zilma, Vanessa é como filha prá mim. Vou com a maior alegria.

Hoje, na sua condição atual, vencidos os obstáculos materiais, você já deve ter visto minha porta nova.  
Vanessa e eu, vamos está na igreja esperando sua entrada triunfal, como
padrinho.
Até o próximo encontro.
                  




Zilmma
Não lembro a data que escrevi.

TU ÉS


TU ÉS
Fátima Irene Pinto

 
Tu és a brasa que ainda arde sob as cinzas
Tu és ferida que ainda sangra sob a casca

Tu és fragrância que restou de murcha flor

Tu és longínquo eco de não extinta dor

Tu és réstia de luz em agourenta noite

Tu és o livro que não terminei de ler

Tu és o topo onde não finquei minha bandeira

Tu és o vulto que jamais pude compreender

Tu és a porta que não se abriu ao meu chamado

Tu és a fonte que secou sem avisar

Tu és rascunho eternamente inacabado

Tu és canção que ainda gosto de escutar

Tu és vida latente e teu nome é esperança

Tu és caminho bifurcado ao longo do trajeto

Tu és o mais estranho de todos os afetos

Tu és, sem ser, bússola, farol, rumo, guiança!

(No livro Ecos da Alma)
2006

DICAS DA DAD (DE PORTUGUÊS)


DICAS DA DAD (DE PORTUGUÊS)
DAD SQUARISI


Nome próprio vira comum se designar nome comum: joões-de-barro, castanha-do-pará, banho-maria, malhação do judas.

A expressão, é rir à toa: eu rio à toa, ele ri à toa, nós rimos à toa, eles riem à toa. Somos todos felizes.

Conserto ou concerto? Com s é remendo; com c, harmonia: conserto do sapato e do carro; concerto da orquestra, das nações, dos discursos.


Família fica no muro. Alguns a consideram paroxítona. Outros, proparoxítona. Prefiro paroxítona.

Sobrenomes que se descaracterizam com o plural se mantêm no singular ou se acrescenta S. O plural de Val seria Vales. Melhor: os Val, Vals.


Não confunda Papai Noel com papai-noel. O 1º é o bom velhinho. O 2º, lembrancinha: Ainda não comprei seu papai-noel.


Os sobrenomes, também têm plural. Eça escreveu Os Maias. Nós escrevemos os Amarais, os Gusmões,
 
Chegou o Natal. Com ele, cartões com votos generosos. Olho vivo! Ano-novo, nome comum, se escreve com minúsculas e hífen: Feliz ano-novo.

Papai Noel é nome próprio. Tem plural -- Papais Noéis.

Nome próprio tem plural como o singular: Marias, Paulos, Joões, Pedros
.
Déjà vu é francês. O u se pronuncia como se fosse i.

O Vocabulário Ortográfico, registra o ídolo, a ídola.
Vim, anda sozinho. É passado do verbo vir. Vir anda acompanhado, em loc. verbal: Ontem vim aqui. Ele deve vir amanhã.

O emprego dos hifens,  sofreu alterações. Mas o tracinho se mantém vivinho da silva.

Os ditongos abertos ei e oi mantêm o acento nas oxítonas e monossílabos tônicos: herói, papéis, dói.
»

Os ditongos abertos ei e oi,  perderam o acento nas PAROXÍTONAS: eu apoio, ele apoia, joia, ideia, assembleia.

Risco de vida? Risco de morte? Consultada, a ABL considerou ambas as formas corretas. Você escolhe,












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AZUL

AZUL

PERNAMBUCO

PERNAMBUCO
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