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AUMENTAM CASOS DE GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA

Aumentam casos de gravidez na adolescência

Maio 5, 2009 por Ana

Especialistas afirmam serem necessárias políticas públicas voltadas aos jovens

É crescente o número de casos de gravidez na adolescência em Alagoas. Uma pesquisa realizada por um grupo da Escola de Enfermagem e Farmácia da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) aponta que 77,8% das internações de adolescentes – que, segundo a Organização Mundial de Saúde, compreende as idades entre 12 a 19 anos- foram ocasionadas por gravidez, parto e puerpério. O registro foi divulgado no livro “Maternidade na Adolescência”, da orientadora do estudo, professora Ruth Cizino da Trindade. Para especialistas, este número é considerado alarmante, e as estatísticas só tendem a aumentar, ainda que diversas campanhas tentem coibir a gestação indesejada.

Para a psicóloga Sandra Agrelli, um dos problemas que impedem a eficácia nas propagandas é o fato de que elas se limitam à informação sobre métodos contraceptivos e à distribuição de camisinhas. “É necessário que se dê um significado psico-educativo aos nossos jovens sobre as reais conseqüências da experiência sexual irresponsável”, explicou a psicóloga. “É preciso existir mais que informação, mas uma orientação para que nossas adolescentes consigam avaliar as perdas e os ganhos de uma atitude motivada pelo desejo sexual”, esclareceu. Segundo Agrelli, há uma tendência errônea a crer que o sexo não passa de uma fonte de diversão, espaço onde faz-se necessário “um resgate urgente dos princípios essenciais da vida”.

Entre as diversas dificuldades advindas com a descoberta de uma gravidez precoce, segundo a psicóloga, há o desencadeamento de uma série de perdas para todos os envolvidos. “Para a adolescente, é latente a falta de condições físicas e emocionais para constituir uma família e formar outro ser. Além disso, há um agravo, considerando que há diversas mudanças provocadas na vida pessoal, profissional e social”, atentou. 

Foi o que ocorreu com I.T.A.M, 15, cuja surpresa da gravidez não foi agradável, ao menos inicialmente. “Desde o primeiro mês em que minha menstruação atrasou, minha mãe disse que eu estava grávida. Mas eu não queria acreditar. Só fui acreditar quando já estava com quatro meses e, desde o momento em que soube, não parei de chorar. Na época, morava com meus avós paternos e tive que ir embora para casa da minha mãe, porque tinha medo do meu pai”, contou a adolescente. Segundo os relatos da jovem, que engravidou aos 14, o pai da criança havia ido embora para um outro estado. “Ele soube que eu estava grávida quando já estava lá, mas não procurou saber da filha em nenhum momento”, resumiu. 

Desde que sua filha nasceu, segundo I.T, há uma série de dificuldades que ela teve e tem que enfrentar, especialmente no que se trata de conciliar a adolescência com os deveres maternos. “Eu sempre gostei muito de sair com as minhas amigas e agora não posso mais. Quando quero muito sair, tem que ser escondido”, revela, acrescentando que a falta de emprego também prejudica sua situação.

No entanto, mesmo com as privações, a jovem reforça que não está arrependida. “Gosto muito de ser mãe, estou adorando. Às vezes fico nervosa, quando minha filha chora muito, mas minha mãe me ajuda muito”, explica.

Quem também sentiu na pele as mudanças advindas com uma gestação precoce foi a estudante Aliciane Ferreira, de 18 anos. Desde que descobriu a gravidez, aos 17, a gestante diz que o período só ‘melhorou’ durante esses últimos meses. “No início foi terrível. Estava no último ano do colégio, e disse que não iria mais, com medo que as pessoas me criticassem”, lembrou. Após dois meses sem ir, e já no quinto mês de gravidez, Aliciane decidiu retornar os estudos.”As pessoas já sabiam que eu estava grávida, então o choque não foi tão grande”, ponderou.

Para a adolescente, o apoio da família foi indispensável durante todo o momento. “Meus pais me apoiaram bastante. Sei que mudou alguma coisa, porque antes eu era vista como a ‘menininha’ da casa e agora não mais, mas tenho o apoio de todos. Inclusive da minha sogra, da minha cunhada, que vivem aos mimos com o Lucca Gabriel”, relata. 

Aliciane também assegura que o fato de ter a responsabilidade de cuidar de uma criança não limitará seus planos para o futuro. “Quero continuar estudando e, assim que meu filho estiver tomando ‘gogó’, já vou entrar na faculdade. Sempre gostei muito de estudar e não é agora que vou parar”, garante a jovem. Quanto ao exercício da maternidade, ela revela: “Preparada não estou, mas com o apoio da minha mãe, da minha sogra, cunhada, sei que vai dar tudo certo”. 

Este apoio da família, segundo a psicóloga Sandra Agrelli, é necessário para que a gestação ocorra até mesmo de forma saudável. “É importante que se trabalhe com a orientação e acompanhamento para que se evite esta situação, mas, caso a adolescente esteja grávida, é imprescindível que se apóie, que esteja junto para dar uma força”. 

Agrelli reforça que não se deve cair em generalizações quanto aos temores das adolescentes que descobrem-se gestantes. “Cada caso é um caso, mas, de acordo com minhas vivências, entre os maiores medos, está o receio de seguir adiante, a ansiedade, o pré-conceito da própria adolescente”, revela, problematizando a consequência maior: o aborto. “Hoje sabemos que o aborto, que é feito de forma clandestina, é um risco para a jovem, para o bebê, ou até mesmo para sua saúde posteriormente”, lembrou. 

‘Mudança de Status’

Sempre reforçando a importância de não generalizar em seus exemplos, Agrelli também menciona casos em que a adolescente engravida com o intuito de se beneficiar da situação. Entre os pontos observados pela psicóloga, está a percepção da jovem de que estará ‘mudando de status’ ao receber o título de ‘mãe’. “Muitas vezes, ela pensa que, ao engravidar, terá um maior respeito dos pais, porque terá uma responsabilidade, o que muitas vezes está ligado à visão de futuro que esta jovem tem”, atentou.

Esse pensamento é compartilhado pela professora Ruth Cizino, que, no segundo capítulo do livro ‘Gravidez na Adolescência’, confirma: “frente às condições de exclusão social em que algumas jovens estão inseridas, com baixa escolaridade ou grande defasagem escolar, aliada a poucas oportunidades de qualificação profissional, muitas mulheres não apresentam projetos de vida que possam ser alcançados além da reprodução, principalmente em relação ao mundo do trabalho.” Neste sentido, Agrelli lembra de eventos em que a jovem reproduz em troca de receber benefícios sociais ou, até mesmo, como uma ‘barriga de aluguel’. 

Já segundo Cizino, a resposta a esta situação é vista de forma diferente quando se trata de adolescentes de classe média à rica, porque possuem uma perspectiva mais sustentada de progredir em seus estudos e em seu ingresso no mercado de trabalho. “Atualmente o inicio da vida reprodutiva é retardada por muitas mulheres para oportunizar uma maior inserção no mundo público, para que assim as mesmas possam vir a ter uma melhor qualidade de vida. Alagoas, que tem um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano do país, deve se preocupar com o que acontece com seus jovens, pois os mesmos serão a força de desenvolvimento deste Estado”, destacou. 

Evitando a gravidez precoce

Para combater este problema, a professora universitária enfatiza a necessidade de se investir em políticas públicas que, de fato, atuem levando-se em consideração as desigualdades. “Embora tenha existido uma transformação nas trajetórias conjugais, nos relacionamentos sexuais nem sempre estão claras as questões relativas à saúde reprodutiva, pois o direito ao livre exercício da sexualidade nem sempre vem acompanhado de uma educação sexual, o que poderia dar mais poder e segurança para o seu desenvolvimento”, atentou.

Ao assinalar a necessidade de que essas políticas públicas sejam, de fato, destinadas aos jovens, Agrelli alerta para a necessidade de trazer aos adolescentes valores que, por muitas vezes, segundo a psicóloga, são deixados de lado, em meio aos apelos constantes da sociedade e da mídia a uma erotização precoce dos adolescentes. “É necessário resgatar esses valores da família, da essência do ‘ser’ e da sexualidade, não como um momento de prazer, mas como sua consequência maior, que é a geração da vida”.

FONTE: WANESSA OLIVEIRA em GAZETA WEB

 

7 comentários:

  1. Amiga, esse foi o assunto que conversávamos no meu trabalho, a velocidade como as coisas acontecem. Hoje o namoro já começa pelo ato sexual, sem responsabilidade. Cada vez mais adolescentes entre 13 e 14 anos estão engravidando. Temos essas estatísticas que nos assustam, mães que tem 4 filhos de pais diferentes e a paternidade não reconhecida.
    Quem trabalha em uma escola assim como eu, sabe como as consequências são graves, o resultado final é trágico.
    Tristemente essa é a realidade do nosso dia a dia.
    Bem oportuno seu post.
    Tenha um lindo fim de semana!

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  2. Bom dia Zilda. Mas é cada vez mais precoce essa intimidade o tempo passou tudo hoje já vem sendo facilitado até pelos meios de comunicação. Fazendo tudo parecer normal e mais facil demais. Ai acontece jovens mães desamparadas e filhos atirados até na rua.

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  3. Precisamos de fato sempre tratarmos destes temas,para cair no esquecimento.Obrigada Dora pela presença.

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  4. Pois é meu amigo Antonio,mas não se pode cruzar os braços.Bj.

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  5. VIM RETRIBUIR A VISITINHA , ADOREI SEU BLOG
    E ESSE POST POIS EU SOU UMA ADOLECENTE SEI QUE A GRAVIDEZ NA ADOLENCIA É MUITO PERIGOSA E MUITO DIFICÍL POR QUE OS ADOLECENTES QUEREM CURTIR A VIDA E FALAM QUE U FILHO IRÁ ATRAPALHAR TUDO E A MAIORIA DA VEZES AS ADOLECENTES ABANDONAM OS PROPRIOS FILHOS PRA SEGUIR SUA VIDA EM FRENTE ENTÃO EU ACHO QUE ESSAS MÃES ADOLECENTES DEVERIAM PENSAR QUE SE ELA FOSSE ESSA CRIANÇA EU QUERIA TER UMA CHANCE DE VIDA ENTÃO QUERO FAZER PARTE DE TODA A VIDA DESSA CRIANÇA COMO QUE SE EU FOSSE ESSA CRIANÇA ! BOM EU PENSO ASSIM :) OBG PELA VISITINHA EM MEU BLOG !

    BEIJOS ! http://obrilhodaadolescencia.blogspot.com/2011/08/adolescencia_08.html#comments

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