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A UM AUSENTE

Carlos Drummond de Andrade


A um ausente-

Tenho razão de sentir saudade, tenho razão de te acusar. Houve um pacto implícito que rompeste e sem te despedires foste embora. Detonaste o pacto. Detonaste a vida geral, a comum aquiescência de viver e explorar os rumos de obscuridade sem prazo sem consulta sem provocação até o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora. Teu ponteiro enlouqueceu,

enlouquecendo nossas horas. Que poderias ter feito de mais grave do que o ato sem continuação, o ato em si, o ato que não ousamos nem sabemos ousar porque depois dele não há nada? Tenho razão para sentir saudade de ti, de nossa convivência em falas camaradas, simples apertar de mãos, nem isso, voz modulando sílabas conhecidas e banais que eram sempre certeza e segurança. Sim, tenho saudades. Sim, acuso-te porque fizeste o não previsto nas leis da amizade e da natureza nem nos deixaste sequer o direito de indagar porque o fizeste, porque te foste.

Por do sol em Tamandaré (Linda praia no litoral Sul de Pe.)

4 comentários:

  1. comentar o aqui dito pelo mestre
    postado por você cigana do nordeste
    onde se fala de uma ausência inconsentida
    até hoje por quem ficou assim tão sentida.

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  2. Amei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!Vai fundo poeta ultra inspirado!

    ResponderExcluir
  3. Mariano Pereira de Sousa para mim




    Bewlo texto , bela imagem Zilda!
    Bela Tamandaré!
    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Obrigada mais uma vez amigo Mariano!Bjs.

    ResponderExcluir

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